Passos em Coimbra: do diabo para o convento

Morais Sarmento diz que líder do PSD tem de "prestar contas" do partido.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES
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Adriano Miranda
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O discurso do diabo é uma constante nos discursos de António Costa para criticar Passos Coelho. Desta vez, foi o próprio líder do PSD que puxou pelo demónio para apontar o dedo ao primeiro-ministro. O pretexto, à hora de almoço, em Coimbra, foi a política de uma “acelerada reposição de rendimentos” que prejudica o investimento público. Exemplo disso mesmo foi a recuperação do convento de Semide, em Miranda do Corvo, que ficou por fazer como Passos pôde constatar durante uma visita às ruínas.

A picadela à "geringonça" veio a propósito das obras públicas “que ficaram na gaveta” e nos cortes na saúde, na educação, na segurança e na protecção civil. Opções que significam “sacrificar o longo prazo e o futuro para criar a ilusão que no curto prazo tudo está bem”, afirmou, num almoço ao lado de Jaime Ramos, o candidato do PSD (em coligação com CDS, MPT e PPM) a Coimbra.

O líder do PSD quis deixar bem vincada a divergência com o Governo. “Admito que o primeiro-ministro tenha dificuldade em perceber isso e, por isso, nos acuse de falta de sentido de Estado. Não fomos nós que vendemos a alma ao diabo para governar”, afirmou, em jeito de provocação.

O discurso da redução do investimento público colou com o dia de campanha. Depois de apoiado Jaime Ramos – uma pessoa que “não quer dar nas vistas”, mas que quer fazer alguma coisa pela cidade - , Passos Coelho foi desafiado pela irmã do candidato, a deputada Fátima Ramos  - que tenta voltar à presidência da Câmara de Miranda do Corvo, que tal como o irmão já ocupou - a ser “advogado de defesa” da recuperação do convento de Semide e da linha férrea da Lousã. Mais do que isso, o líder do PSD foi advogado de acusação. “Nem os carrilhões de Mafra, para que nós lá deixámos dinheiro, recuperaram. Na cultura foi uma desgraça”, lamentou durante uma conversa com Luís Rocha, presidente do centro de formação profissional de artesanato e património, instalado na parte do convento já recuperada.

No final da visita, Passos Coelho mostrou entusiasmo pela candidatura da deputada. O líder do PSD revelou ter estado no centro de Miranda do Corvo, momentos antes de chegar ao monumento, e ter ficado “agradado” com o que ouviu na rua. Seria mais uma câmara a somar no deve e o haver com o PS. E despediu-se: “Boa sorte, Fátima!”

Porventura, a sorte pode sorrir ao líder do PSD, mas os críticos já começam a preparar o discurso para cobrar resultados. Nuno Morais Sarmento, ex-ministro de Durão Barroso, não aceita baixar a fasquia face aos maus resultados das autárquicas dos últimos quatro anos. “Não são os resultados de 2013 que me interessam. Pedro Passos Coelho tem que prestar contas da casa que recebeu e da casa que entrega”, afirmou no programa Falar Claro da Rádio Renascença.

Morais Sarmento, que recentemente foi candidato à assembleia distrital do PSD-Lisboa contra uma lista próxima da direcção, defendeu que a reflexão no PSD começa logo “no dia a seguir às eleições” e que o congresso será o palco dessas reflexões que “dependem completamente do resultado” do próximo domingo. Será que o diabo vai andar à solta no PSD?