Porto Rico

O calvário continua: agora, está a ficar sem dinheiro

Depois de ficar sem electricidade, combustível e água potável, a moeda começa a desaparecer do bolso dos 3,4 milhões de habitantes da ilha.
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Reuters/Carlos Garcia Rawlins

A cada dia que passa, a recuperação da ilha de Porto Rico, depois da passagem do furacão Maria, parece ser uma missão cada vez mais difícil. Primeiro, ficou sem electricidade, situação que dura há dias e que pode manter-se durante meses; a seguir, a água potável começou a escassear; os combustíveis passaram  a ser um bem escasso. Agora, chegou a vez de começar a faltar o dinheiro.

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Relata a agência noticiosa Associated Press (AP), que as filas nos bancos da ilha se multiplicam, que muitos dos 3,4 milhões de habitantes de Porto Rico estão simplesmente impedidos de ir trabalhar ou de gerir os seus negócios por falta de combustível, não só para os carros (para se abastecer o veículo corre-se o risco de ficar um dia inteiro à espera) como para pôr os geradores a funcionar – um imperativo já que a electricidade é coisa que não existe desde a passagem do Maria.

Tudo isto pode ter efeitos ainda mais catastróficos, tendo em conta que Porto Rico está em recessão financeira há pelo menos uma década, tendo, inclusivamente, accionado, em Maio deste ano, um mecanismo que permite uma protecção semelhante ao utilizado nos casos de falência, o que lhe permitirá reduzir os 70 mil milhões de dólares de dívida. É a maior reestruturação de sempre de um estado ou governo local norte-americano.

A AP falou com Octavio Cortes, engenheiro, que se mostrou pessimista sobre o futuro próximo. Segundo diz, a situação vai piorar porque muitos dos problemas estão ligados e não são de resolução simples: “Não sei quão pior vai ficar”, disse, enquanto parava, juntamente com outros automobilistas, numa ponte para tentar captar rede telefónica. “Agora é praticável, mas não sei se o será na próxima semana ou depois”, sublinhou.

“Obviamente levantei dinheiro antes do furacão, mas já desapareceu”, relata Cruzita Mojica, funcionária pública. “Estamos sem gasolina. Sem dinheiro. Sem comida. Isto é um desastre”, disse à AP, acrescentando que foi chamada ao trabalho, mas que não o pode fazer por ter de cuidar da família, afectada pela passagem do furacão.

Todos os relatos obtidos pela agência noticiosa norte-americana apontam num mesmo sentido: desespero.

O El País noticia que os EUA accionaram um dispositivo militar de grandes proporções para apoiar nos trabalhos em Porto Rico.

A Guarda Civil porto-riquenha tem neste momento cerca de 1500 militares no terreno, mas há ainda 5000 que não se apresentaram e que estão, na sua maioria, incomunicáveis. No entanto, o governador porto-riquenho Ricardo Rosselló anunciou nesta quinta-feira que nos próximos dias chegarão “milhares” de soldados provenientes dos EUA. Isto acontece porque o Pentágono vai estabelecer um centro operacional na ilha e o Departamento de Defesa norte-americano vai enviar militares de alto escalão. Segundo diz o diário espanhol, esta é a maior operação militar de sempre em Porto Rico.

Além disso, e também nesta quinta-feira, perante a situação da ilha caribenha que é território sob administração norte-americana, a Casa Branca anunciou que a lei conhecida como "Jones Act" ficará sem efeito, de forma a permitir o transporte de mantimentos para Porto Rico. Esta lei federal norte-americana proíbe embarcações com bandeira estrangeira de transportar produtos dos portos dos Estados Unidos para a ilha.

A decisão foi anunciada pela porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sandres, que escreveu no Twitter que o Presidente Donald Trump autorizou que o “Jones Act seja anulado por Porto Rico”. A medida, com efeitos imediatos, surge em resposta a um pedido efectuado por Rosselló.