Activistas relatam detenções em massa contra comunidade LGBT no Azerbaijão

Alguns grupos de defesa dos direitos LGBT dizem que não é possível calcular a escala desta perseguição, mas denunciam que ela dura há duas semanas.

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Capital do Azerbaijão, Baku Alessandro Bianchi/Reuters

Grupos de activistas apelaram esta quinta-feira ao Azerbaijão para que sejam libertadas dezenas de pessoas LGBT, que dizem ter sido vítimas de detenções em massa e de abusos naquele país.

A ILGA, grupo internacional de defesa dos direitos da comunidade LGBT, afirmou que é difícil avaliar a escala da alegada repressão – relatando que esta se prolongou nas últimas duas semanas – mas referiu que este país do Cáucaso é bem conhecimento pelos maus-tratos contra as pessoas LGBT.

Os advogados de defesa de algumas destas pessoas detidas dizem que os seus clientes foram sujeitos a agressões, abusos verbais e exames médicos forçados, nota ainda a ILGA. Os relatos não foram verificados de forma independente.

As autoridades azeris em Londres e em Baku não responderam ao pedido de comentários sobre o assunto.

“Não há justificação para visar desta forma, indiscriminadamente, pessoas que são consideradas membros da comunidade LGBT”, afirmou a directora executiva da ILGA na Europa, Evelyne Paradis. “Estamos preocupados com o destino das vítimas destas rusgas, e apelamos à libertação imediata de todos que estejam ainda detidos”, acrescentou em comunicado.

Grupo britânico de defesa dos direitos dos homossexuais, o Stonewall, informou que as autoridades justificaram as detenções com uma operação contra a prostituição, mas estes activistas referem que as pessoas da comunidade LGBT foram identificadas.

As cabeças das mulheres transsexuais foram rapadas de forma forçada, acrescentou ainda o grupo. Os activistas locais afirmam que pelos 50 homossexuais e transsexuais foram detidos durante rusgas policiais por toda a capital azeri, Baku, nas últimas duas semanas.

“As ruas principais, as estações de metro e os lugares que acolhem pessoas LGBT, como clubes e bares, são os principais alvos”, relata um activista de Baku, que preferiu manter o anonimato, em troca de mensagens de WhatsApp com a Fundação Thomson Reuters.

Os Defensores dos Direitos Civis, um grupo de direitos humanos sediado na Suécia, referiu que o número de detenções pode ascender às centenas, acrescentando que muitos foram libertados apenas depois de revelarem moradas de outros membros da comunidade LGBT.

Em declarações à agência noticiosa local APA, um porta-voz do ministro do Interior negou que as rusgas tenham tido como alvo minorias sexuais, sugerindo que estavam relacionadas com a ordem pública. “Os detidos são pessoas que mostraram falta de respeito em relação a outros, incomodaram cidadãos e as autoridades de saúde acreditam que transportam doenças infecciosas”, disse o porta-voz Eskhan Zakhidov, segundo cita a APA.

A homossexualidade não é crime no Azerbaijão, mas este país foi listado como o pior na Europa para a comunidade LGBT em 2016, segundo um inquérito da ILGA. Estas alegadas detenções surgem pouco tempo depois da perseguição à comunidade LGBT na vizinha Tchetchénia, onde se crê que mais de 100 homens homossexuais tenham sido torturados.

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