Passos na rota das desavenças socialistas em Braga

Líder do PSD assegurou à Renascença que o resultado das autárquicas não põe em jogo a liderança do partido.

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Passos em Barcelos, com o candidato do PSD à câmara, Mário Constantino LUSA/MIGUEL A. LOPES
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Líder do PSD passou por jardim onde há uma estátua de Sá Carneiro, o fundador do partido LUSA/MIGUEL A. LOPES
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Passos em Barcelos, com o candidato do PSD à câmara, Mário Constantino LUSA/MIGUEL A. LOPES
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Passos em Barcelos, com o candidato do PSD à câmara, Mário Constantino LUSA/MIGUEL A. LOPES

Na parede há fotografias a preto e branco do ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes. O actual líder do partido olha para elas demoradamente quando começa uma visita a uma instituição em Fafe, a terra onde nasceu o comentador político. Não é só nesse momento que Passos Coelho mostra ter interesse no que vai vendo. Nas salas infantis, vazias à hora de almoço, faz perguntas e alguns reparos – “aqui na biblioteca falta um computador” – mas também se diverte com a curiosidade de um grupo de alunos de cerca de oito anos.  

A conversa, no pavilhão de desportos da Associação Recreativa e Cultural de Fornelos, começou pela diferença entre futebol e futsal, mas evoluiu rapidamente para os talentos de cada um. Como o líder do PSD confessou não ter jeito para futebol – “sou uma desgraça” – mas sim para cantar – “há coisas que acho que faço bem” -, a pergunta dos mais novos foi inevitável: “Porque não és cantor?” “Porque descobri tarde”, desabafou, sorrindo.

Os alunos do 3.º ano levaram poucos segundos a apelar em coro: “Canta, canta, canta!” Mas Passos Coelho não cedeu, porque estavam “ali as televisões”. Como a conversa demorou longos minutos, alguns deles já tocavam nas mãos e puxavam o casaco do "presidente", como lhe chamavam. “Vou pregar para outra freguesia”, despediu-se. A freguesia era mesmo outra – a de Barcelos –, mas a arruada ao final da tarde também se guiava pelo mesmo motivo da campanha em Fafe: uma terra em que os socialistas se dividiram em duas candidaturas e que é vista como uma oportunidade para o PSD reconquistar uma câmara que foi sua até 2009.

Os bombos fizeram-se ouvir bem alto na arruada em que participaram largas dezenas de apoiantes. Passos Coelho foi-se queixando que o grupo dos Zé Pereiras estava muito perto e que não o deixavam ouvir as pessoas com quem se cruzava. Na caminhada ao lado do candidato Mário Constantino, Passos Coelho foi cumprimentando algumas pessoas junto às lojas, mas muitas vezes não se aproximava. O que o líder do PSD não esperava era encontrar nas ruas uma espanhola assumida socialista. A princípio, a mulher pensava que o PSD era da mesma família política, mas o líder acabou por revelar o equívoco. Ela despede-se – “perdona, cariño” – e Passos Coelho remata num misto de português e castelhano: “‘No, no, não precisa perdonar”.

Depois de alguns zigues-zagues, a comitiva deslocou-se a um jardim onde está uma estátua de Sá Carneiro. No final da iniciativa, Passos Coelho disse ter uma “expectativa optimista” sobre o resultado das eleições autárquicas. No distrito de Braga, há a esperança de conquistar duas ou três câmaras e o PSD bem  precisa delas para as contas finais com o PS.

Mesmo que não supere a meta traçada, Passos Coelho voltou a avisar que não se vai “pôr ao fresco”. Em entrevista à Rádio Renascença, o líder do PSD não recusa as leituras nacionais dos resultados do próximo domingo. Admitiu que, “se o PSD tiver um mau resultado autárquico, é mau para a liderança do PSD”, mas ressalvou que “a liderança do PSD não está em jogo com o resultado destas eleições”. Com ou sem disputa interna, Passos Coelho traçou o calendário: um conselho nacional logo na próxima semana, como acontece habitualmente após um acto eleitoral, e um outro em Novembro, para marcar directas e congresso.