As férias, habitação. Promessas de Jerónimo nos calcanhares do PS

Jerónimo de Sousa andou pelos arredores de Lisboa, em concelhos onde a CDU é segunda a seguir ao PS. E não poupou os socialistas... da Assembleia

No jardim de Caneças, Jerónimo de Sousa até tirou selfies com apoiantes.
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No jardim de Caneças, Jerónimo de Sousa até tirou selfies com apoiantes. LUSA/Jose Sena Goulao

Foi uma voltinha confortável, aquela que Jerónimo de Sousa escolheu para o último domingo da campanha: duas freguesias lideradas pela CDU e outra onde são a segunda força, em concelhos às portas de Lisboa onde a coligação de esquerda está em segundo lugar, nitidamente a morder os calcanhares do PS, e onde os comunistas acreditam poder ganhar terreno. Olhando para os números dos eleitos nestes concelhos, percebe-se que em algumas freguesias as diferenças entre socialistas e comunistas são de poucos votos. Daí a repetição, até à exaustão, a cada intervenção de Jerónimo de Sousa: cada voto conta e ele tem que ser perseguido até às 19h do próximo domingo.

Por isso mesmo, o secretário-geral do PCP não se cansou de apontar o dedo a decisões em que os socialistas, no Parlamento, se aliaram à direita ou apenas ao Bloco para recusarem propostas comunistas; ou de vincar as dificuldades que o PS continua a colocar, no Governo, a ideias do PCP como o aumento generalizado de pensões ou a subida do salário mínimo para 600 euros. Para tentar cavar o fosso entre os socialistas e a bondade das reivindicações comunistas.

Em Aveiras de Cima (Azambuja), Caneças (Odivelas) e Alverca do Ribatejo (Vila Franca de Xira), Jerónimo de Sousa usou a mesma estrutura de discurso, realçando medidas comunistas para devolução de salários, rendimentos e direitos, apontando falhas do Governo socialista nas questões das pensões, das carreiras da função pública, do aumento do salário mínimo. Ou falando de propostas comunistas barradas pelo PS e que se encaixam melhor num discurso autárquico crítico dos problemas de mobilidade como os que afectam a Grande Lisboa: foi o caso do passe intermodal que funcionaria em todas as carreiras, empresas e concelhos e abrangeria cerca de 900 mil pessoas, mas que não teve o apoio do PS (nem do Bloco).

Acrescente-se a habitação, área em cuja reabilitação os concelhos dormitórios, como estes três, precisam de apostar. Em Caneças, sob as árvores do jardim central da vila, Jerónimo até apontou os bairros municipais de Odivelas e os Bairros do Governo Civil, na Pontinha, e apelou: “É necessário assegurar a criação de condições de habitabilidade nos bairros de génese ilegal, como a CDU fez já nas suas autarquias, de que é exemplo Loures aqui ao lado!”

Ora, não foi só na política de habitação que o líder do PCP puxou pelos galões comunistas. Fê-lo também nos direitos laborais, bandeira cara ao partido. Para anunciar que a sua bancada vai entregar uma proposta no Parlamento para a reposição das indemnizações por inteiro aos trabalhadores no caso de despedimento sem justa causa. E para mostrar que os comunistas são um bom exemplo nestes direitos e coerentes – no Parlamento entregaram uma proposta para tornar obrigatório o mínimo de 25 dias úteis de férias -, Jerónimo de Sousa lembrou em Alverca que as câmaras lideradas pela CDU vão implementar os 25 dias úteis de férias a partir de Janeiro.

Esta segunda-feira, Jerónimo de Sousa faz a sua última incursão à região Norte, passando pelo Porto para uma arruada entre a Avenida dos Aliados e a Rua de Santa Catarina (para uma ajudinha a Ilda Figueiredo), outra arruada em Fânzeres (Gondomar), e um comício nocturno no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian em Braga.