Governo atribui bolsas de estudo para o ensino superior a 29 refugiados

Estudantes vieram maioritariamente da Síria e do Iraque.

Parte dos estudantes vão começar no ano zero
Foto
Parte dos estudantes vão começar no ano zero Enric Vives-Rubio

Vinte e nove refugiados vão estudar no ensino superior, neste ano lectivo, graças a bolsas de estudo do Alto Comissariado para as Migrações, em parceria com a Associação Plataforma Global para Estudantes Sírios, no total de 90.000 euros.

Em declarações à Lusa, o ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita, explicou que estas 29 bolsas surgem na sequência de um protocolo de cooperação assinado em Julho e que são um projecto inovador.

"No início do ano letivo [2017/2018] podemos dizer que 29 refugiados vão receber bolsas de estudo para a frequência do ensino superior, em alguns casos em faculdades a nível de ano zero, em que ainda há uma dimensão de aprendizagem da língua portuguesa, noutros casos é já a frequência de cursos, consoante as habilitações de base dessas pessoas", adiantou o governante.

Segundo Eduardo Cabrita, dos 29 estudantes, dez vão ingressar no ensino superior no "Ano Zero, Pt+", em que têm formação de base para acesso ao ensino superior com aprendizagem reforçada de português, enquanto os outros 19 vão já começar a frequentar o primeiro ano do curso.

Dos 90.000 euros, 60.000 vieram do Alto Comissariado para as Migrações e 30.000 da Associação Plataforma Global para Estudantes Sírios, um projecto lançado pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio.

As bolsas são destinadas a refugiados recolocados, reinstalados e outros requerentes de asilo, que tenham chegado a Portugal nos últimos dois anos, sendo que no caso destes 29 são maioritariamente sírios e iraquianos, mais de um terço são mulheres.

Eduardo Cabrita explicou que o valor atribuído a cada estudante serve não só para as bolsas de estudo, mas também como apoio à habitação. No caso das pessoas refugiadas recolocadas, que recebem apoio financeiro através do Fundo de Apoio aos Migrantes (FIMA), começam a receber a bolsa quando acaba este apoio, ou seja, depois de estarem há 18 meses em Portugal.

O ministro-Adjunto admitiu que a criação e atribuição das bolsas de estudo "superou largamente" as expectativas, que inicialmente eram moderadas quanto à possibilidade de haver quem se candidatasse.

De tal maneira, que o programa foi inicialmente pensado para a criação de 12 bolsas e face ao âmbito de possíveis destinatários o Governo decidiu alargar para 29, tendo recebido 40 candidaturas para estas bolsas.

"Isto integra-se dentro da nossa política de acolhimento com preparação para a integração plena na sociedade portuguesa e com acesso ao mercado de trabalho", apontou o ministro.

Sublinhou que é uma iniciativa que "distingue Portugal", pelo facto de o país ter "uma visão aberta à tolerância e à solidariedade com o acolhimento de refugiados", mas também porque aposta numa "integração tão plena quanto possível".

Eduardo Cabrita garantiu que será uma iniciativa para continuar, mas salvaguardou que primeiro é preciso acompanhar estes estudantes "de modo a que o seu percurso tenha sucesso".