E no dia 2, reencontro de irmãos…

Isaltino e Vistas garantem que, se vencerem, haverá pelouros para quem quiser. Mas não quebram o tabu sobre se aceitam responsabilidades executivas em caso de derrota.

Nas autárquicas mais concorridas das últimas três décadas em Oeiras, ninguém espera maiorias absolutas. “Quem quer que ganhe irá ter dificuldades em governar sozinho e terá que fazer entendimentos, mas para isso é preciso que haja cedências de parte a parte”, antevê o candidato do PS, Joaquim Raposo.

Nada de novo no concelho, aliás: desde a sua primeira eleição, em 1985, Isaltino Morais convidou todos os vereadores eleitos a assumirem pelouros e Paulo Vistas seguiu-lhe o exemplo. Nem todos aceitam. Há quatro anos, Vistas apenas contou com o PSD, o seu partido de origem. E depois de 1 de Outubro, a situação pode ser ainda mais caricata: a maioria pode ser constituída por vereadores de diferentes listas, mas todos oriundos do mesmo partido. Ou seja, no dia 2 pode haver um reencontro de irmãos social-democratas. A questão é saber com quem.

Tendo em conta o histórico dos resultados e as sondagens conhecidas, há quatro candidaturas com fortes possibilidades de eleger vereadores: o movimento Isaltino Oeiras de Volta, a IOMAF de Paulo Vistas, a coligação de direita Oeiras Feliz, o PS e a CDU. As três primeiras têm raízes no PSD.

Se Paulo Vistas vencer, conta com todos, mas não revela se ele próprio assume o mandato caso não ganhe. Isaltino acredita que ganha e diz que ficará na autarquia mesmo que não vença, mas não revela se assume responsabilidades executivas nesse cenário. Ângelo Pereira fica e aceita pelouros em qualquer caso, assim as negociações corram bem.

“O PSD neste município tem garantido a governabilidade e a estabilidade. Se ganharmos, vamos convidar todas as forças políticas para formarem o executivo. Temos candidatos com muita experiência, presidente, ex-presidentes, será um executivo de luxo caso todos aceitem as suas responsabilidades. Noutro cenário, terá de haver um encontro de projectos, mas estamos disponíveis para assumir responsabilidades como sempre fizemos”, afirma o candidato da coligação de direita.

Paulo Vistas recusa ser tão claro: “Prognósticos e cenários só no dia 1 de Outubro”. O actual presidente garante que o seu movimento assumirá as responsabilidades que os eleitores lhe derem, deixando entreaberta a porta para uma coligação até com Isaltino, mas sem se comprometer pessoalmente.

A maioria, no entanto, poderá não ser monocolor. Joaquim Raposo afiança que, se não vencer as eleições, ele próprio não aceitará pelouros, mas “os camaradas do PS poderão fazê-lo se for preciso assegurar a governabilidade”. Tudo em aberto, portanto.

Neste contexto de geografias variáveis, há ainda outra via para uma “geringonça” de uma só cor política. É que Sónia Gonçalves, a quarta candidata da área do PSD, também está disposta a aceitar cargos. Desde que seja nas suas condições. E desde que seja eleita, claro está.

A antiga adjunta de vereação de Vistas e que antes tinha estado no projecto de Isaltino surpreendeu ambos, primeiro ao recusar integrar estes projectos, e depois com a sua candidatura própria. “Quando o Isaltino me convidou para a união de freguesias de Algés e Dafundo, ficou muito claro na minha cabeça que nem o projecto de um nem o do outro me aliciavam”, conta ao PÚBLICO esta jurista de 43 anos, “católica, mãe de família, oeirense de gema”.

A número um da lista “É por aqui, Oeiras” avançou com meios próprios, recusou apoios financeiros e foi para a rua com meia dúzia de pessoas. Porque “Oeiras precisa de uma mulher para finalmente arrumar a casa”. Arrumar e limpar? “Eu sou deputada municipal, mas não sei o verdadeiro estado da autarquia. Por isso, a primeira coisa que farei se for eleita é uma auditoria à câmara”, garante. Suja, diz ter sido a campanha e a guerra entre os dois principais candidatos. E a cidade: “Há lixo por todo o lado, há baratas, há ratos, precisamos de uma vez por todas de pôr a nossa casa limpinha”.

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