Entrevista

Privados chamados para duplicar residências universitárias

As actuais 1400 camas são consideradas insuficientes para responder às necessidades dos cerca de 50 mil estudantes da Universidade de Lisboa. Reitor explica plano para alargar a oferta.

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Nuno Ferreira Santos

Quais são as prioridades do novo mandato como reitor?
Temos uma prioridade absoluta que é a construção de novas residências de estudantes.

Essa é uma questão premente numa cidade como Lisboa, face ao aumento dos preços da habitação.
Essa questão já era premente antes do 'boom' do imobiliário. Nas antigas universidades que deram origem a esta, não foi construída nenhuma residência universitária desde o 25 de Abril. Houve duas residências construídas no Instituto Superior Técnico, mas com dinheiro de receitas próprias. O número de camas não é o adequado.

Qual é esse número?
Temos 1400 camas para quase 50 mil estudantes. É evidente que muitos dos estudantes são da zona de Lisboa ou próximo, mas nós precisamos de muitíssimas mais camas. Há um grande plano de construção de residências. Neste momento, está a ser construída uma residência para o campus da Ajuda, que deve ter as primeiras 180 camas no final do próximo ano. Estamos a terminar o licenciamento de um projecto para transformar a antiga cantina 2 da Cidade Universitária numa residência de estudantes com 150 camas. Tenho como objectivo usar um terreno no Parque das Nações – que precisa de mudar de uso – para promover a construção de residências. E gostava muito de, antes do final deste mandato, termos construído também, nas traseiras da Biblioteca Nacional, uma grande praça com comércio e 800 camas para estudantes, onde hoje há um enorme parque de estacionamento em terreno que é propriedade da universidade.

Qual é objectivo no número global de camas?
Praticamente duplicar, nos próximos quatro anos, o número de camas. Se conseguirmos fazer isso é um grande feito.

Não vamos conseguir fazer tudo com dinheiro público. Vamos ter que ter parcerias com investidores privados. Provavelmente teremos que concessionar a gestão de parte das residências durante um certo período de tempo.

O objectivo é fazer um investimento na construção de 600 a 700 camas com verbas da universidade e ter um número parecido de camas que possam ser postas à exploração de parceiros.

Já há parcerias em vista?
Não. Tudo isso tem que se fazer com concursos públicos internacionais, portanto não haverá favorecimento de ninguém. Neste momento abrimos um concurso para concessionar uma residência mais pequena na rua da Escola Politécnica, num edifico da universidade que não está em grandes condições.