Recapitalização da CGD deve contar toda para o défice

Posição preliminar do Eurostat é revelada pelo Negócios. Autoridades nacionais tenta esgrimir últimos argumentos para evitar défice acima de 3%.

Paulo Macedo lidera da Caixa Geral de Depósitos
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Paulo Macedo lidera da Caixa Geral de Depósitos MIGUEL A. LOPES

A apreciação preliminar do Eurostat sobre o impacto da Caixa Geral de Depósitos (CGD) no défice orçamental vai no sentido de considerar a totalidade dos 3944 milhões de euros injectados no banco.

A notícia é avançada pelo Negócios, que adianta ainda que o Instituto Nacional de Estatística (INE) ainda está a esgrimir os últimos argumentos junto do organismo estatístico europeu para evitar que o défice suba para valores acima de 3% do PIB no final de 2017.

No diálogo que tem mantido com o INE, o Eurostat defende que os prejuízos passados da Caixa implicam que os 3944 milhões de euros usados para a recapitalização sejam considerados como uma injecção de capital numa empresa pública deficitária e, logo, com impacto no défice.

Já o INE tem defendido que a CGA teve prejuízos tal como os restantes bancos e que por isso a recapitalização deve ser entendida como uma operação normal de mercado.

Se a decisão do Eurostat for tomada antes do final do ano e for no sentido de incluir a recapitalização no cálculo do défice, Portugal fecharia com um défice acima dos 3% do PIB, uma vez que a estimativa do Governo para este ano é de 1,5% e a recapitalização vale 2,1% do PIB.