Numa capela londrina, Alexandra Moura deu um sermão em estilo

A criadora apresentou a sua colecção de Primavera/Verão 2018 numa antiga igreja presbiteriana, durante a semana de moda de Londres.

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O número 139 da Shaftesbury Avenue, em Londres, não salta aos olhos de quem por lá passa — muito menos com toda a azáfama à volta da sala de espectáculos onde é apresentada a peça de teatro Harry Potter And The Cursed Child. Poucos diriam que se trata de uma entrada para uma antiga capela presbiteriana, a Welsh Chapel — o local escolhido por Alexandra Moura para apresentar a sua colecção de Primavera/Verão 2018, durante a semana de moda de Londres. Com um pé assente na capital europeia, a criadora tem apostado cada vez mais nos mercados asiáticos.

Virando a esquina, a entrada principal do edifício do século XIX já começa a revelar a sua identidade. “Sempre adorei estas igrejas no meio da rua e entre prédios modernos”, conta a designer ao PÚBLICO, recordando a “cultura britânica pop, meio undergroud” dos anos 1990. A escolha da localização não foi ao acaso. “Achei que faria sentido, dentro do romantismo das minhas colecções”, desvenda.

Entre os arcos e ogivas, desfilaram 32 conjuntos de uma colecção “inspirada na deterioração dos interiores de palácios e palacetes portugueses do século XVIII, bem como nos detalhes interiores”. Trocado por miúdos e por tecidos: “muitos laços, muitos atilhos, folhos inacabados” e “costuras sobrepostas”. Estas últimas “remetem”, segundo a criadora, “para as costuras onde encaixavam as barbas de baleia para os corpetes”. Serpenteando entre os bancos corridos da pequena igreja, os modelos desaparecem finalmente por umas arcadas, onde as diferentes cores na parede de fundo formam uma espécie de patchwork, que denuncia o passar do tempo.

As estruturas dos vestidos que chegavam a fazer as senhoras desmaiar serviram assim de mote para a intitulada Within The Time Within, uma colecção confortável e urbana, pautada pelas estruturas desconstruídas das peças e silhuetas bem marcadas. A pesquisa sobre a moda da época passou “muito pela construção do seu próprio avesso”, revela Alexandra Moura, exemplificando a forma como eram inacabados determinados tipos de costura. “Fazer modelagem a desconstruir é muito mais complexo do que fazer um molde direitinho”, aponta ainda.

A procura de inspiração na história de diferentes culturas tem sido recorrente nas colecções da designer que, na última temporada, fez o público viajar três séculos até ao tempo das colónias portuguesas em Timor-Leste, com têxteis e padrões timorenses e indonésios; e que antes apresentou uma colecção inspirada na época vitoriana.

De olhos virados para o Oriente

A aposta comercial da marca passa cada vez mais pelos mercados asiáticos. Uma das parcerias importantes que estabeleceu, conta a criadora, é com as lojas Opening Ceremony, com que já apresenta a quarta colecção. “Hoje em dia já penso [num público-alvo asiático] claro”, revela Alexandra Moura. “Se já tenho compradores que nos procuram, se temos um mercado asiático muito atento a nós, claro que sim. Mas não faço grande esforço para ir de encontro ao que os asiáticos gostam, porque acho que eles quando descobriram a nossa marca foi porque nós de alguma forma já temos a ver com a silhueta deles.”

Alexandra Moura considera que a presença em Londres é “claramente uma montra mundial”, sendo que é no showroom de Paris, onde estará também presente, que chegam as encomendas. “Várias situações que já aconteceram e continuam a acontecer é termos os contactos em Londres e depois esses contactos fazerem marcações”, garante.

A estratégia comercial em mercados que não o europeu – mais concretamente na China, no Japão e no Kuwait –, passa também por uma selecção cuidada dos pontos de venda, com um foco nas concept stores (lojas que fazem curadoria de diversos tipos de peças, do design à moda). “Não queremos massificar a marca, nem fazer grandes quantidades. Queremos estar nos sítios certos com um produto de qualidade”, explica a criadora. No horizonte está ainda a abertura de um site de venda directa, acrescenta.

O desfile em Welsh Chapel, que serve hoje de sala de eventos, marca a quarta participação de Alexandra Moura na semana de moda de Londres com o apoio do Portugal Fashion e a segunda em formato de desfile. Durante a semana, partilha ainda o showroom com outras duas criadores portuguesas, Carla Pontes e Susana Bettencourt. “Notamos uma curiosidade e uma procura em relação à nossa marca já muito interessante”, comenta, sem avançar volumes de venda ou de facturação.

O roteiro internacional do Portugal Fashion – financiando pelo Portugal 2020, através da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) – começou em Nova Iorque com as apresentações de Katty Xiomara e Miguel Vieira e, depois de Londres, prossegue para Milão (com Pedro Pedro e Carlos Gil) e Paris (com Luís Buchinho).

O PÚBLICO viajou a convite do Portugal Fashion

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