Miguel Madeira
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O Trojan Horse já quase não cabe em Tróia

Aos cinco anos, evento que reúne centenas de artistas da ilustração aos jogos, passando pelo cinema e TV, pode estar de saída para Malta. Trojan Horse was an Unicorn recebe quase mil artistas de 18 a 23 de Setembro

São cinco anos de Trojan Horse was an Unicorn (THU) e o festival de “criadores onde se junta o ecossistema todo” das artes digitais, jogos, cinema e televisão, recebe em Tróia a partir deste domingo cerca de 900 visitantes. Dezasseis empresas estão em recrutamento, entre as quais a Industrial Light and Magic ou a Rise, recebendo mais de 250 candidatos a um emprego na ficha técnica de produtos de entretenimento digital (e não só). Mas este pode ser o último ano do festival português em Tróia – e em Portugal. Malta é o destino possível. 

“Existe vontade de permanecer em Portugal”, diz ao PÚBLICO André Lourenço, fundador do encontro, e sobretudo depois do apoio demonstrado pelo Governo e pelas autarquias de Setúbal e Grândola após ums ameaça de saída do THU para o estrangeiro, em 2015. Desde então o encontro tem um apoio de cerca de 100 mil euros, ocupando parte das estruturas hoteleiras de Tróia durante uma semana em Setembro e trazendo nomes ligados aos mais importantes e rentáveis títulos dos videojogos ou Hollywood, de Candy Crush a Harry Potter.

Mas as entidades públicas, “que têm ajudado ao máximo, têm orçamentos e estruturas limitadas”, diz André Lourenço, que tem no influente produtor Scott Ross o principal embaixador internacional do festival. E Tróia e os seus centros de congressos e auditórios estão a revelar-se pequenos para um encontro que em 2016 recebia 600 pessoas e este ano roça as 900, das quais a grande maioria são compradores de bilhetes no valor de mais de 500 euros. “O THU tem necessidades que a estrutura não está a acompanhar”, lamenta André Lourenço, “agradecido” pelo reconhecimento dos dois últimos anos e satisfeito por ter hoje o THU como um ”evento independente”, com orçamento de 1,4 milhões de euros, sobretudo graças aos ingressos (cerca de 500 euros) e aos patrocínios. Até a electricidade falta na península para acolher um evento focado em animação, efeitos visuais, filmes e artes digitais, obrigando ao uso de geradores em muitos espaços.

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Malta, país que tem patrocinado o THU nas suas edições internacionais, tem em vista “poder fazer crescer a comunidade em torno do THU” e chamar mesmo as empresas que fazem parte da sua galáxia, diz André Lourenço. A possível transição do THU para aquele país está em negociações, que devem ficar fechadas no próximo mês.

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Centenas de participantes, na sua maioria jovens adultos que este ano vêm de 70 países, esgotam os bilhetes para o THU em semanas. Um número crescente de empresas vem analisar portefólios (dias 18 e 19), fazer orientação de carreira e cada vez mais oradores chegam para masterclasses, palestras e workshops entre os dias 20 e 23 – este ano destacam-se, entre os mais de 65 oradores e cerca de 59 convidados, Cephas Howard, um dos designers responsáveis pelos jogos da Lego, o director de animação Brad Lewis (Carros, Ratatui), a especialista em desenho de criaturas e personagens Terryl Whitlatch (Star Wars, Jumanji), Marc Simonetti (a Guerra dos Tronos), Rob Bliss (Harry Potter) ou os repetentes Paul Briggs (Disney) e Claire Wendling (DC Comics, Disney). A organização destaca também o foco na imprensa estrangeira, generalista e especializada, que este ano estará a acompanhar o festival, como o Guardian, a revista Wired ou o TechCrunch.