NASA confirma que Cassini já morreu

Depois de 20 anos em missão, a Cassini despediu-se de Saturno mas “vai manter-nos ocupados durante muitos anos”. A NASA já anunciou que recebeu o último sopro de vida da sonda.

A sonda <i>Cassini</i>
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A sonda Cassini JPL/NASA

Esta sexta-feira os olhos estiveram postos em Saturno. A agência espacial norte-americana (NASA) previa que às 11h31 (hora de Portugal continental) a sonda Cassini mergulhasse no planeta, destruindo-se no processo. A essa hora perdemos o sinal da sonda e restava-nos aguardar pelo seu último sopro de vida. Assim aconteceu, por volta das 12h55 tivemos a confirmação: a Cassini morreu.

“Estou muito orgulhoso desta conquista incrível. Parabéns a todos. Foi uma missão incrível, uma sonda incrível e uma equipa incrível”. Foi assim que Earl Maize, responsável pela missão do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena (na Califórnia, nos EUA), anunciou a todo o mundo (através de uma transmissão em directo) a morte da Cassini. O anúncio foi feito depois de o último sinal ter sido recebido pelo complexo de antenas da rede Deep Space da NASA em Canberra, na Austrália.  

A morte da Cassini foi propositada, o seu combustível estava a acabar. Como tal, tudo foi devidamente planeado, para que a sonda não contaminasse nenhuma lua nem se tornasse lixo espacial. Em Abril deste ano, começou a Grande Final em que a sonda teve de dar 22 mergulhos entre Saturno e os seus anéis, para que pudesse atingir o solo do planeta. “Construiu-se um aparelho perfeito”, disse Julie Webster, responsável da NASA pela equipa de operações da Cassini, na conferência da agência norte-americana após o fim da missão. E avisou logo em modo de brincadeira: “Já estou pronta para construir outra.” Earl Maize também destacou o trabalho da equipa de operações: “Fez um trabalho absolutamente brilhante ao guiar a sonda para um final nobre.”

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Earl Maize, responsável pela missão, abraça Julie Webster, responsável pelas operações da missão, depois de se saber que a Cassini mergulhou em Saturno NASA/Joel Kowsky

A missão Cassini-Huygens foi lançada a 15 de Outubro de 1997, a partir da base espacial de Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos. Esta foi uma missão conjunta da NASA, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana. A sonda Cassini levava às costas o módulo de aterragem Huygens. A 1 de Julho de 2004, Cassini-Huygens entrou na órbita de Saturno. No mesmo ano, a sonda e o módulo separaram-se e, em 2005, Huygens aterrou na lua Titã (uma das luas de Saturno) e terminou assim a sua parte da missão.

Para sempre no céu nocturno

Da Cassini chegaram-nos novos dados científicos, obtidos durante os 13 anos em que esteve no sistema de Saturno. Trouxe-nos informações importantes sobre o campo magnético do planeta, a composição dos seus anéis e informações sobre as luas Titã e Encelado. “A Cassini pode ter desaparecido, mas o seu contributo científico vai manter-nos ocupados durante muitos anos”, disse Linda Spilker, cientista desta missão. Considerou ainda que os 13 anos em que a sonda esteve na órbita de Saturno foram como “uma maratona de descobertas científicas.” Earl Maize também não deixou de salientar o “legado” que esta sonda deixou na investigação científica. “Vida longa para Cassini”, declarou.

As imagens foram outros dos presentes deixados por esta missão. Embora não tenha sido tirada nenhuma fotografia durante o mergulho derradeiro, já foram distribuídas pela NASA as últimas imagens (ainda não tratadas) recolhidas nesta quinta-feira.  

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Imagem tirada à lua Titã a 13 de Setembro e disponibilizada esta sexta-feira NASA/JPL
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Uma das últimas fotografia tirada aos anéis de Saturno a 14 de Setembro NASA/JP

Quem também não faltou à despedida foi Todd Barber. Foi ele o cientista da missão que comentou a chegada de Cassini-Huygens a Saturno a 1 de Julho de 2004. “Parabéns. Bem-vinda à órbita de Saturno”, anunciava na altura. Agora já não tinha a gravata repleta de motivos planetários que o caracterizou há 13 anos. Vestia uma blusa azul com um logotipo da missão Cassini-Huygens, tal como todos os outros cientistas que disseram “adeus” à sonda.

“É terrível estar aqui 13 anos depois”, brincava, pelo facto de já ter passado mais de uma década depois da entrada da sonda em Saturno. “Mas isso demonstra a longevidade desta missão”, considerou. Juntamente com uma equipa de outros cientistas, protagonizou um momento musical na despedida à Cassini. A música Tonight, do musical West Side Story, foi adaptada à última noite da Cassini.

Embora agora já não esteja a orbitar no sistema de Saturno, Linda Spilker diz que a sonda vai continuar também a fazer parte das suas noites. “Deixa-nos confortáveis saber que, para todo o sempre, no céu nocturno, aos olharmos para Saturno a Cassini estará lá também.”