Opinião

Abstenho-me de não votar!

É absolutamente imprescindível que todos tenham a noção da importância do exercício do voto eleitoral.

Momento de eleições autárquicas. As eleições com que os cidadãos mais se identificam. Não é difícil perceber porquê. Identificam-se porque existe uma pessoalização direta e automática ao rosto dos candidatos. O cidadão reconhece por norma, salvo raras exceções, as pessoas que encabeçam as diferentes listas de candidatos a votos.

Ora porque as encontram no café, ora porque são vizinhos na mesma comunidade, ora porque têm os filhos ou os netos na mesma escola ou a praticar desporto no mesmo clube do bairro. O fio condutor que liga o cidadão aos candidatos autárquicos é a proximidade, o reconhecimento, a cobrança e a critica direta, bem como o elogio e o incentivo pessoal.

No entanto, e ainda assim, em 2013 as autárquicas registaram uma abstenção de 52,60%. Ou seja, mais de metade dos portugueses decidiram não exercer o seu direito de voto. Este fenómeno abstencionista é uma preocupação crescente que não deve ser descurado, nem pela classe politica nem tão pouco pelos cidadãos. Os níveis de abstenção ameaçam a própria democracia, cuja construção permanente e manutenção assenta nos partidos políticos e no voto direto e por sufrágio.

Na existência de um complexo sem número de causas que determinam o comportamento abstencionista, e perante a inércia da classe politica em relação às mesmas e no alcance de soluções para esta problemática, é fácil e recorrente atribuírem-se as responsabilidades apenas ao cidadão. As responsabilidades são partilhadas, devem ser assumidas e sanadas por ambas as partes, cidadãos e classe politica.

É absolutamente imprescindível que todos tenham a noção da importância do exercício do voto eleitoral. A abstenção não deve continuar a ser, em crescendo, a resposta do povo ao Estado por indiferença politica ou para com os políticos, por uma ida à praia ou por uma questão de natureza conjuntural.

Independentemente dos motivos diversos que possam levar ao desinteresse sobre as questões politicas, há a certeza de que a vida da sociedade, as politicas sociais, fiscais e outras são determinadas pela classe politica, que é eleita para além dos números da abstenção.

Da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, passando pelos votos brancos e nulos, as possibilidades de escolha serão sempre variadas e as propostas apresentadas a escrutínio serão sempre variadas. Assim, os cidadãos devem refletir e interiorizar que a relevância prática do voto nas suas vidas é sobremaneira mais importante que todos e quaisquer motivos que encontrem para se absterem.

Não votar, seja de que eleição se trate, é permitir que outros aproveitem os motivos dos abstencionistas para por eles fazerem as suas escolhas. O ato eleitoral é a expressão mais nobre da democracia.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico