Operação Marquês: Pharol quer ser assistente no processo por causa da Rioforte

Empresa pretende colaborar com o Ministério Público no apuramento das responsabilidades dos responsáveis de topo da PT que investiram dinheiro da empresa na Rioforte.

Inquérito passou a englobar a investigação relativa ao investimento ruinoso da PT na Rioforte
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Inquérito passou a englobar a investigação relativa ao investimento ruinoso da PT na Rioforte Nuno Ferreira Santos

A Pharol (ex-PT) pediu para se tornar assistente na Operação Marquês, inquérito que passou a englobar a investigação relativa ao investimento ruinoso da PT na Rioforte, empresa do universo BES/GES entretanto falida.

Fonte ligada ao processo adiantou à agência Lusa que o pedido da Pharol para se tornar assistente na Operação Marquês já deu entrada, desconhecendo-se ainda se foi aceite.

A fonte indicou que o pedido da Pharol para se tornar assistente na Operação Marquês visa colaborar com o Ministério Público no apuramento das responsabilidades dos responsáveis de topo da PT que investiram dinheiro da empresa na Rioforte, designadamente o antigo chairman e CEO Henrique Granadeiro.

Na terça-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou que "por despacho proferido no âmbito do inquérito da Operação Marquês, foi determinada a apensação do inquérito no qual se investigavam factos relativos à Portugal Telecom".

De acordo com a edição online da revista Sábado, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu, a 1 de Setembro passado, juntar à Operação Marquês um dos processos-crime que visa a Portugal Telecom (PT) e o Banco Espírito Santo (BES). Em causa está o investimento de 900 milhões de euros da PT na Rioforte, uma empresa do universo BES/GES que faliu.

Segundo o Ministério Público, citado pela Sábado, verifica-se uma "conexão de processos", ou seja, há factos e/ou indícios de crimes semelhantes imputados a vários arguidos comuns aos dois inquéritos, nomeadamente aos antigos administradores da PT, Zeinal Bava e Henrique Granadeiro.

O despacho judicial citado pela Sábado esclarece que, como na Operação Marquês já foram imputados a Zeinal Bava e Henrique Granadeiro o "recebimento de quantias pagas pelo Grupo BES" entre Novembro de 2010 e o mesmo mês de 2012, e caso não se fizesse a junção de inquéritos prevista no Código do Processo Penal, corria-se o risco de "não se alcançar a compreensão global dos factos" sob suspeita e a eventual "repetição de julgados".

A conexão e respectiva apensação dos dois processos foi comunicada ao director do DCIAP, Amadeu Guerra, refere a revista.

Entretanto, na passada segunda-feira o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca foi interrogado, pela terceira vez, no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), tendo sido confrontado com elementos de prova ligados ao negócio do TGV, do qual o grupo Lena fazia parte, embora com uma quota reduzida.

Os procuradores do DCIAP entendem que o ex-primeiro-ministro José Sócrates, arguido na Operação Marquês, terá recebido "luvas" neste e noutros negócios que estão a ser investigados.

A decisão do Ministério Público sobre o inquérito Operação Marquês, cujo principal arguido é José Sócrates, deverá ser conhecida até 20 de Novembro, depois de os procuradores terem recebido a última carta rogatória no dia 22 de Agosto.

O antigo primeiro-ministro José Sócrates está indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.