Menos investimentos e escolhas diferentes: superior contraria tendência

Investimento diminuiu 9% entre 2010 e 2014. Portugal tem mais mulheres em áreas tendencialmente mais procuradas por homens.

Joana Bourgard
Foto
Joana Bourgard

Os dados do Education at a Glance mostram o ensino superior nacional em contra-ciclo com algumas das tendências internacionais. Portugal contraria um reforço do investimento feito pela generalidade dos países nos últimos anos e afastou-se mais da média internacional de custos com o sector. As opções dos estudantes na hora de escolherem um curso também vão contra a corrente dos parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

O investimento no ensino superior em Portugal decresceu 9% entre 2010 e 2014, mostram os números do relatório internacional, que reflectem os anos de maior impacto da crise financeira sobre o sector. No final desse período, Portugal gastava 11.800 dólares (cerca de 9858 euros, ao câmbio actual) em cada aluno nas universidades e politécnicos, o que significa menos 4000 dólares (3341 euros) por estudante do que a média da OCDE.

Esta tendência contraria o que aconteceu, no mesmo período, nos países que integram aquele organismo internacional. Aliás, uma das principais conclusões do relatório aponta para um aumento considerável do investimento no ensino superior, que foi até mais elevado do que o crescimento do número de alunos, assinalando a importância que os governos têm colocado no sector.

Direito e Gestão são mais procurados

Portugal vai também contra a corrente no que toca às preferências dos estudantes no ensino superior. Na generalidade dos países, os cursos mais procurados são os de Gestão e Direito. Portugal tem a maioria dos alunos a diplomarem-se nas áreas de Engenharia. Só a Coreia do Sul tem uma realidade semelhante.

PÚBLICO -
Aumentar

Além disso, 28% dos alunos nacionais formam-se nas áreas de ciências, tecnologias, engenharia e matemática – agrupadas pela sigla internacional STEM – , o que está também acima da média da OCDE (23%). Pelo contrário, apenas 1% dos diplomados nacionais cursou tecnologias da informação, uma das taxas mais baixas de entre os países parceiros (a média é de 4%).

O país destaca-se também por ter mais mulheres no ensino superior em áreas de conhecimento tendencialmente mais procuradas por homens. Elas são 28% dos estudantes que frequentam cursos de engenharia (a média da OCDE são 24%), e 23% dos que estudam tecnologias da informação (média de 19%). Nos cursos de ciências naturais há uma maioria feminina: 59% dos inscritos, 9 pontos percentuais acima da média.