Autárquicas: Há três locais de voto “no olho do furacão” do Sporting-FC Porto

Três postos eleitorais das freguesias do Lumiar e de Alvalade, em Lisboa, ficam a menos de um quilómetro do estádio dos “leões”.

NUNO FERREIRA SANTOS
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NUNO FERREIRA SANTOS

Apesar da recomendação da Comissão Nacional de Eleições (CNE), no sentido de se “evitar concentrações significativas de cidadãos, especialmente em ambiente de potencial conflitualidade” no dia das eleições, é certo que muitos eleitores das freguesias do Lumiar e de Alvalade, em Lisboa, vão exercer o direito de voto em locais tudo menos tranquilos.

Dos quatro jogos da I Liga marcados para o dia das autárquicas, 1 de Outubro, as atenções vão para o Sporting-FC Porto, às 18h, no Estádio de Alvalade. À hora do início da partida ainda faltará uma hora para o fecho das urnas em Lisboa. Mas o ambiente que sempre marca um jogo como este começa algumas horas antes.

Um ambiente muitas vezes festivo, mas também de potencial conflitualidade e de muita confusão que, em diversas ocasiões, já causou feridos. E as vítimas não foram só adeptos ou membros de claques, mas também residentes locais. Especialmente os causados por membros de claques que conseguem escapar ao apertado controlo policial. Lançamento de objectos diversos, especialmente pedras, rebentamento de petardos, agressões gratuitas a quem passa nas ruas e roubos são muitas vezes o prato do dia, antes, durante e depois dos chamados “clássicos”.

O PÚBLICO sabe que na zona de Telheiras mais próxima do estádio, há moradores que deixam a sua habitação horas antes dos jogos entre “os grandes” e só voltam depois de estes terminarem, enquanto outros residentes recusam sair de casa. E não é só por temerem incidentes. Fogem também à confusão gerada pelos milhares de carros que invadem a zona em dia de jogo grande.

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E este ambiente não se confina ao estádio. Há a chamada “caixa” das claques do FC Porto que tem de fazer um percurso até ao estádio com forte acompanhamento policial, levando ao encerramento de ruas. Há também o movimento de adeptos que, muitas vezes, deixam as suas viaturas longe do local da partida, criando um movimento de pessoas nada pacato. A juntar a tudo isto há ainda a intensa e ruidosa frequência junto aos “postos” de comes e bebes e de venda de material diverso nos arredores do estádio.

Na freguesia do Lumiar, com mais de 36 mil eleitores, e em parte da de Alvalade, com cerca de 30 mil eleitores, uma boa parte do dia da votação vai ser vivida neste ambiente que a CNE considera indesejável. Dos sete locais de voto (quatro em Alvalade e três no Lumiar), três ficam, em linha recta, a menos de um quilómetro do estádio do Sporting.

No Lumiar, a Escola EB 2/3 Professor Lindley Cintra fica a 860 metros do estádio dos “leões”, enquanto a Escola Básica de Telheiras fica 740 metros. Já em Alvalade, o Átrio da Reitoria da Universidade de Lisboa, no Campo Grande, fica a um quilómetro.

O comissário João Moura, do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública, disse ao PÚBLICO que a PSP tenta sempre conduzir as “caixas” das claques longe das zonas mais movimentadas. Em relação ao Sporting-FC Porto de 1 de Outubro, diz que a PSP tem capacidade para afastar a “caixa” de locais de votação, criando rotas alternativas. Essa possibilidade só vai ser decidida mais perto do dia do jogo.