Crónica de jogo

FC Porto sofreu a dobrar no arranque da Champions

Equipa de Sérgio Conceição sofreu golos pela primeira vez nesta época e, com eles, também se estreou a perder. Bom início de segunda parte não foi suficiente.

Reuters/MIGUEL VIDAL
LUSA/MANUEL ARAUJO
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Apesar de ter vincado a enorme importância de começar a prova com uma vitória em casa, Sérgio Conceição não podia esperar pior abordagem a uma competição que não permite grande margem de erro, tendo-se estreado nesta quarta-feira com uma derrota diante do Besiktas (1-3) que poderá deixar marcas na campanha do FC Porto nesta Liga dos Campeões.

Pese embora todas as estatísticas e números redondos que o FC Porto tinha à disposição, numa paleta que prometia deixar os turcos em branco na noite de gala do 50.º jogo para a Champions do Estádio do Dragão, o primeiro sinal de que seria preciso mais do que o apresentado nas provas domésticas surgiu num golpe de “traição” de Quaresma.

Na primeira oportunidade de que o extremo dispôs, o famoso cruzamento teleguiado do ex-“dragão” foi encontrar a cabeça de Talisca (13’), a tingir de vermelho a possibilidade de ampliar a série portista de jogos sem qualquer golo sofrido.

O alarme estava accionado e o FC Porto precipitava-se no turbilhão de emoções que o jogo turco potenciava. Por entre soluços, Marega e Soares forçavam o erro que os “azuis e brancos” não eram capazes de aproveitar, mesmo criando a ilusão de poderem, a qualquer momento, desfazer os equívocos defensivos que permitiam a Babel ameaçar a baliza de Casillas num disparo que espirrou no pé de Felipe.

Mas o FC Porto entregava-se de alma e coração ao jogo, aproveitando o constante desposicionamento defensivo do adversário para ir em busca de um empate que Óliver Torres falhou por centímetros, com a bola a esbarrar no ferro e as bancadas a rebentarem de ansiedade.

Os “dragões” conseguiriam, contudo, o golo da igualdade numa intervenção infeliz de Tosic, pressionado por Marega. O autogolo turco (21’), na sequência de um canto, parecia suficiente para restabelecer a ordem no Dragão, mas, numa fase interessante da equipa portuguesa, a eficácia de Cenk Tosun (28’) mergulhou de novo a equipa de Sérgio Conceição numa espiral de dúvidas, adensadas pela nesga que separou o primeiro remate a sério de Soares da baliza de Fabri.

Ao FC Porto restavam 45 minutos para inverter a lógica e celebrar a 22.ª presença na Liga milionária com um resultado positivo. E Sérgio Conceição não esperou para actuar, sacrificando um apagado Corona para tentar a sorte com Otávio, trocando ainda o cerebral Óliver pelo nervo de André André. Ajustada, a equipa sitiou o Besiktas e pressionou à procura do ponto de rotura que Fabri reforçou ao negar o empate a Soares. Ricardo e, sobretudo, Alex Telles trituravam nos corredores enquanto Brahimi dilacerava no jogo interior, disparando os índices de rendimento num período que provocou desequilíbrios e desgastou física e emocionalmente o Besiktas. Continuava a faltar, porém, o discernimento que Otávio também não soube emprestar ao ataque.

Unidos e solidários, os turcos começavam a acreditar que podiam conservar a vantagem e consumar a primeira vitória sobre o FC Porto, depois de um empate e três derrotas na última década. A verdade é que para o anfitrião começava a tornar-se evidente o peso (da falta) das tais opções referidas pelo treinador, indispensáveis para fazer boa figura numa prova na qual andar a contar tostões pode ser fatal.

Sérgio Conceição, que já tinha transformado o 4x4x2 num 4x3x3, olhava para o banco e, para além dos mexicanos Layún, Herrera e Reyes, tinha apenas Hernâni para tentar dar um novo rumo e sentido à estreia enquanto técnico na Champions. Perder não era, obviamente, opção e o FC Porto tirava Danilo da equação, deixando André André (amarelado) numa posição ingrata.

A equipa entrava nos últimos dez minutos sobre brasas e já em débito físico, mas com a obrigação de carregar no acelerador, mesmo que isso significasse o despiste. Missão que permitia ao Besiktas recuperar fôlego para espreitar o ataque e ir em busca do golo (de Babel, aos 86’) que acabou com o sofrimento, dando mesmo no fim o golpe de misericórdia.