Nas Caraíbas, começa a enfrentar-se a destruição dos últimos dias

O pior não aconteceu e o furacão José não teve o impacto violento que se esperava nas ilhas caribenhas. Em Cuba, o Irma causou dez mortes. Macron visita São Martinho.

Uma rua de Havana inundada depois da passagem do <i>Irma</i>
Foto
Uma rua de Havana inundada depois da passagem do Irma Reuters/STRINGER

A população de São Martinho respirou de alívio durante o fim-de-semana, assim que se apercebeu que a passagem do furacão José poupou a pequena ilha das Caraíbas, poucos dias depois de o Irma ter arrasado grande parte dos edifícios e deixado os 77 mil habitantes sem electricidade ou água potável. Mas relatos de pilhagens de bens de primeira necessidade voltaram a pôr a ilha de sobreaviso.

“A comida acabou toda”, dizia no domingo ao New York Times Jacques Charbonnier, um habitante de 63 anos. “As pessoas estão a lutar nas ruas pelo que resta”, acrescentou. Os episódios de pilhagens e alguma violência em São Martinho ocorreram pouco depois de o Irma ter completado a sua passagem pela ilha, na quarta-feira. Sem acesso a comunicações, parte da população terá entrado em pânico na perspectiva de ficar sem acesso a bens de primeira necessidade, como água, comida ou medicamentos, durante a passagem do José no fim-de-semana.

“A população não tem acesso a electricidade nem a meios de comunicação, não estão ao corrente da forma como se está a gerir a crise”, disse à AFP o responsável francês da missão da protecção civil, Jérôme Perrin. “Com a passagem do furacão José, essa fase crítica termina e nós poderemos enviar os meios necessários”, acrescenta.

Visado com as críticas da oposição, o Presidente Emmanuel Macron parte terça-feira para São Martinho e anunciou que pretende duplicar o número de militares estacionados (para 2200) na parte da ilha sob administração de Paris – desde o século XVII que São Martinho está dividida entre uma zona de soberania francesa e outra holandesa. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, também anunciou o envio de mais militares para a ilha e o rei Guilherme-Alexandre partiu esta segunda-feira para o local.

O Governo britânico tem enfrentado críticas pela reduzida assistência que tem disponibilizado aos territórios afectados que administra -- as Ilhas Virgens Britânicas e Anguilha. Foram enviadas seis toneladas de ajuda humanitária e o Executivo disponibilizou um fundo de apoio no valor de 32 milhões de libras (35 milhões de euros), de acordo com o The Guardian. Porém, a primeira-ministra Theresa May não se disponibilizou a visitar os territórios.

Em Cuba, as autoridades confirmaram esta segunda-feira que o Irma causou dez mortos, a maioria na sequência da queda de edifícios em Havana. O jornal estatal Granma diz ainda que as infra-estruturas agrícolas sofreram “danos graves”, especialmente na exploração da cana-de-açúcar. Em Barbuda, o primeiro-ministro Gaston Browne disse à BBC que cerca de metade da população tinha sido desalojada. E em Porto Rico, metade da população de sete milhões de pessoas ficou sem electricidade.

Na segunda-feira, o Irma continuou a sua progressão no estado da Florida, tendo baixado à categoria de tempestade tropical, com ventos de 110 km/h. Apesar da perda de força, as autoridades mantiveram os avisos para a população se manter nos abrigos. Esperava-se que um dos locais mais afectados fosse a cidade de Tampa, na costa ocidental, mas a noite de domingo foi menos grave do que se antecipava. “Tivemos muita sorte na noite passada”, dizia o mayor Bob Buckhorn.

Os próximos dias vão servir para contabilizar prejuízos e iniciar os esforços de reconstrução, mas há quem esteja já a fazer cálculos. As empresas de avaliação de riscos prevêem que as perdas possam ascender a 65 mil milhões de dólares (54 mil milhões de euros), de acordo com o Financial Times.