Há sete anos que não entravam tantos alunos no ensino superior

Instituições públicas recebem 44.914 novos estudantes a partir de segunda-feira. Crescimento foi maior nos institutos politécnicos.

As engenharias voltam a destronar Medicina como os cursos com nota de entrada mais alta
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As engenharias voltam a destronar Medicina como os cursos com nota de entrada mais alta José Carlos Coelho

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É preciso recuar até ao início da década para encontrar um ano em que tantos estudantes tenham sido colocados no ensino superior como neste. A partir de segunda-feira, 44.914 alunos podem começar a matricular-se nas universidades e institutos politécnicos públicos. É o número mais alto desde 2010, revelam os resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso, divulgados na madrugada deste domingo.

Os números revelados pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior mostram que o maior crescimento se verificou nos institutos politécnicos. Os 17.266 colocados nesse subsistema representam um crescimento de 8,4% face a igual período do ano passado. As universidades continuam, ainda assim, a acolher a maioria dos novos alunos: 61,5%. Este ano entram 27.648 estudantes no ensino universitário.

O crescimento do número de entradas no ensino politécnico é “bastante expressivo”, classifica o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Nuno Mangas, que sublinha ainda um outro dado deste concurso nacional de acesso: o número de candidatos em 1.ª opção no ensino politécnico cresceu 16%. Nas universidades, esse indicador sobe 2%.

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Para Mangas, esta realidade é resultado “de um trabalho de valorização do ensino superior politécnico” que começa “finalmente a dar frutos” e que tem permitido começar a quebrar algum estigma social que paira sobre o sector. O presidente do CCISP observa uma outra realidade: os alunos começam a perceber que têm ofertas de qualidade mais próximos de sua casa. “Há muito boas opções para além das grandes cidades, onde a qualidade de formação se alia a uma boa qualidade de vida”, valoriza.

Os dados do concurso nacional de acesso confirmam a percepção: há mais 13% de colocados nas regiões de “menor densidade demográfica”. Nos politécnicos dessas regiões, o aumento do número de entradas chega aos 20%.

Os 44.914 estudantes colocados na 1.ª fase do concurso significam um aumento de 4,6% face ao ano passado. Este é o ano em que mais alunos entram nas universidades e politécnicos desde 2010 — altura em que tinham sido colocados 45.592 alunos nesta fase do concurso.

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Este é o quarto ano consecutivo de aumento do número de novos alunos que entram nas universidades e politécnicos públicos. Depois da quebra registada entre 2010 e 2013, a tendência inverteu-se no ano seguinte e, entre 2013 e 2017, o número de colocados no ensino superior aumentou 20% (mais 7499 estudantes).

Para o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), António Cunha, o continuado aumento da procura do sector vai implicar que o Governo reveja a regra que tem mantido congelado o máximo de vagas oferecido por cada instituição. “O ensino superior não pode deixar de responder às necessidades da economia e é claro que Portugal tem necessidades de formação em algumas áreas específicas, desde logo na informática”, avisa.

A excepção criada este ano pelo Governo para os cursos destas áreas aplicou-se apenas às instituições do interior, o que, para António Cunha, “não foi suficiente”. “Devia ter tido um âmbito nacional.”

A esta fase do concurso apresentaram-se 52434 candidatos, o que constitui um aumento de 6% face ao ano passado. No final da 1.ª fase, 85,7% dos concorrentes já encontraram uma colocação, sendo que a esmagadora maioria destes entrou numa das suas três primeiras opções. Quase metade (49%) entrou na primeira opção, ao passo que 21,6% encontraram lugar na segunda e 12,8% na terceira.

57 cursos sem alunos

A área de estudos com mais alunos colocados continua a ser Engenharia e Técnicas Afins (7664 novos alunos), que cresce em relação ao ano passado (7148). Apesar disso, sectores tradicionais como a Engenharia Civil ainda não recuperam completamente da quebra da procura registada nos últimos anos, em consequência da forma como a crise financeira afectou o sector da construção.

Dez cursos de Engenharia Civil — das universidades da Beira Interior, Algarve e Trás-os-Montes e Alto Douro, bem como dos politécnicos de Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Setúbal e Viseu — não tiveram um único estudante colocado na 1.ª fase do concurso de acesso, apesar de oferecerem, ao todo, 271 vagas. As outras áreas com maior procura foram Ciências Empresariais (6901 colocados), Saúde (6737) e Ciências Sociais e do Comportamento (3885).

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Dos 1062 cursos de licenciatura e mestrado integrado que integravam o concurso, apenas 57 não tiveram nenhum estudante colocado. De resto, o número de vagas que sobram no final da 1ª fase (6225) diminuiu 22,4% em relação ao ano passado e é o mais baixo desde 2009. Este ano, as universidades e institutos politécnicos públicos tinham uma oferta de 50.838 lugares para novos alunos.

As vagas sobrantes ficam disponíveis para a 2.ª fase do concurso nacional de acesso, cujas candidaturas podem começar a ser feitas a partir de segunda-feira. O prazo para o concurso termina a 22 de Setembro, sendo os resultados conhecidos cinco dias depois. O processo de colocação no ensino superior só estará, porém, concluído quando forem divulgadas as colocações da 3.ª fase do concurso nacional de acesso, o que acontecerá a 13 de Outubro.

À semelhança do que fez no ano passado, o Ministério da Ciência e Ensino Superior tornou pública uma estimativa do total de estudantes que entrarão no ensino superior neste ano lectivo. Nas três fases do concurso nacional de acesso, a tutela espera que sejam colocados um total de 47 mil alunos.

O concurso nacional de acesso é a via de entrada para cerca de dois terços dos estudantes que ingressam todos os anos no ensino superior público. A estes alunos juntam-se ainda os que vêm das restantes vias de ingresso, como os concursos especiais, realizados directamente junto das instituições de ensino superior e que permitem o ingresso, por exemplo, dos alunos com mais de 23 anos ou de titulares de diploma de especialização tecnológica ou diploma de técnico superior profissional, entre outros; os concursos locais de acesso, para ingresso em cursos de música, teatro, cinema, dança; e os cursos técnicos superiores profissionais, uma formação superior profissionalizante de dois anos, cuja oferta está reservada apenas às instituições politécnicas.

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Contabilizando todas estas vias de acesso, o Governo antecipa que, neste ano lectivo, entrem nas instituições públicas de ensino superior 73 mil novos estudantes.