Santana Lopes quer regresso à eleição do líder em congresso

Numa altura em que o PS já tentou a eleição do líder através do método de primárias, Pedro Santana Lopes propõe ao PSD que regresse aos congressos electivos.

Santana Lopes quer congresso vivos no PSD
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Santana Lopes quer congresso vivos no PSD Daniel Rocha

Congressos vivos e míticos, como o que elegeu Cavaco Silva em Maio de 1985, na Figueira da Foz, ou o que opôs Mendes, Durão e Santana em Viseu, no ano 2000, são o desejo de Pedro Santana Lopes para o PSD, partido que tem de saber renovar-se. O ex-líder social-democrata esteve na sexta-feira à noite, em Esposende, num jantar que o PÚBLICO já tinha anunciado, e voltou aos discursos políticos.

“Acho que está na altura de o partido pensar em voltar a ter os grandes congressos do PPP/PSD e de o presidente do partido voltar a ser escolhido em congresso”, disse Pedro Santana Lopes, assumindo que foi “um dos grandes responsáveis” pela introdução de eleições directas.

Para Santana Lopes, os partidos, “e o PPP-PSD às vezes não escapa a isso, estão demasiadamente dominados por um certo tipo de aparelho partidário que procura fazer vingar, acima de tudo, não ideias nem princípios nem valores, mas o poder de cada um, a lógica de votos arranjados à pressa ou de qualquer maneira”.

Sublinhando que o actual Governo “é legítimo do ponto de vista parlamentar”, Santana Lopes vaticinou que o PSD deve “preparar uma alternativa, ir em frente, ter confiança em si mesmo e saber renovar-se” porque "a renovação é sempre muito importante na vida”.

O antigo líder do PSD disse ainda que as recentes afirmações de Cavaco Silva provam que “há muita gente” no espaço político do partido que quer “melhor combate” à “solução de Governo” que está neste momento no poder.

Falando na apresentação dos candidatos do PSD aos diversos órgãos autárquicos de Esposende, Santana Lopes avisou que o momento eleitoral “não é fácil” para o partido, porque a "geringonça" tem conseguido alguns bons resultados. “Há quem goste, há quem não goste. Agora é bom notar que a intervenção de Cavaco Silva há uns dias demonstrou que há muita gente no nosso espaço político que quer melhor combate político, mais combate à solução que está neste momento no poder”, referiu.

Perante cerca de 2500 pessoas, número avançado pela organização, Santana Lopes evocou a frase “hoje somos muitos, amanhã seremos milhões”, que vem do tempo de Mota Pinto, e adaptou-a aos tempos actuais. “Hoje temos de dizer: hoje somos bons, somos razoáveis, mas amanhã seremos melhores”, afirmou.

O candidato do PSD à Câmara de Esposende é Benjamim Pereira, actual presidente do município, que se recandidata com uma equipa completamente renovada, em que não figura qualquer um dos restantes quatro vereadores sociais-democratas eleitos em 2013. Outro dos candidatos é João Cepa, que foi presidente da câmara durante cerca de 15 anos, sempre eleito pelo PSD, mas que agora se recandidata como independente.

Uma situação que Santana Lopes não deixou passar em claro, afirmando que a política não deve ser feita “com azedume nem com ressentimento”, mas sim “com memória, com rectidão, com capacidade de passar por cima e de respeitar quem vier depois”.

“Tenho a certeza que Benjamim Pereira nunca se candidatará contra aqueles com quem trabalhou”, disse. No anterior mandato, Benjamim Pereira foi o número dois de João Cepa.

No concelho concorrem ainda Manuel Enes de Abreu (PS), Manuel Carvoeiro (CDU) e Artur Viana (CDS-PP).