Morreu Pierre Bergé, companheiro de vida e de percurso de Yves Saint Laurent

Empresário e mecenas de arte não conseguiu cumprir o desígnio de presidir à inauguração dos dois museus YSL este Outono.

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LUSA/YOAN VALAT

O empresário e mecenas francês Pierre Bergé, antigo companheiro de Yves Saint Laurent e co-fundador da histórica casa de moda parisiense, morreu nesta sexta-feira, aos 86 anos, anunciou a sua fundação.

Activo no seu empenho pela luta dos direitos homossexuais, na promoção da cultura e das artes, Bergé não conseguiu cumprir a última tarefa a que se tinha proposto: a inauguração, este Outono, de dois museus com o nome do histórico costureiro francês, um na sua casa de sempre, a Fondation Pierre Bergé-Yves Saint Laurent, em Paris, o segundo na sua residência de férias em Marraquexe.

Nascido em 1930, Bergé chegou a Paris aos 18 anos e depressa se integrou no fervilhante meio cultural francês do pós-guerra, tornando-se amigo de pintores e escritores, como Albert Camus, escreve o Le Monde. Mas o encontro que mudou a sua vida aconteceria em 1954, quando conheceu o então jovem costureiro Yves Saint Laurent, que três anos mais tarde sucederia a Christian Dior à frente da mítica casa de moda. Uma paixão para a vida que daria origem a um dos mais bem-sucedidos impérios da moda francesa: em 1961 Bergé ajuda-o a criar a sua própria marca, reconhecida em todo o mundo pelas iniciais YSL.

O sucesso comercial da casa faz dele um nome grande do sector, tendo sido, em 1986, um dos responsáveis pela criação do Instituto Francês da Moda. Saint Laurent morreu em 2008, seis anos depois de se ter afastado do mundo da moda, mas Bergé encarregou-se de manter o seu legado, à frente da fundação com o nome de ambos e que já anunciou que mantém os planos para a abertura dos dois museus.

Mas a fortuna serviu-lhe também para se tornar um dos mais reconhecidos mecenas culturais do país, tendo contribuído, entre muitas outras iniciativas, para a aquisição de importantes obras para o Museu do Louvre ou a renovação do Centre Pompidou. Apaixonado por ópera, comprou em 1977 o teatro Athenée Louis-Jouvet, considerado um dos edifícios históricos mais bonitos de Paris, que cederia ao Estado francês em 1982, tendo depois liderado a Ópera de Paris durante a presidência de François Mitterrand, seu amigo.

Homem de esquerda, foi um activista empenhado na luta contra a sida e uma voz incansável na defesa dos direitos dos homossexuais, tendo sido uma das figuras públicas a dar a voz pela Lei Taubira, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. No final do mês de Março, casou-se com o paisagista Madison Cox, que nomeou seu executor testamentário.