Três milhões de euros vão para empresa portuguesa continuar no centro espacial de Kourou

O ISQ já está a apoiar o processo industrial no Centro Espacial Europeu de Kourou desde 2003, e volta agora a renovar o seu contrato. Através dele, vai estar na Guiana Francesa pelo menos até 2023.

Foguetão no centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa
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Foguetão no centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa DR

A empresa portuguesa ISQ (antigo Instituto de Soldadura e Qualidade) vai continuar a prestar serviços de apoio às actividades de operação, montagem, integração e teste no Centro Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa, através de um contrato de três milhões de euros. Este contrato começa em Janeiro de 2018 e tem a duração entre cinco anos e sete anos, pelo que o ISQ estará presente no centro espacial pelo menos até 2023.

Desde 2003 que a empresa portuguesa está neste centro espacial. “Começámos com um engenheiro”, lembra ao PÚBLICO Paulo Chaves, responsável pelo mercado de aeronáutica e espacial na empresa. Agora já são sete pessoas do ISQ a trabalhar em Kourou.

O ISQ está presente no centro porque faz parte de um grupo de empresas industriais europeias, o GIE ESQS. Além do ISQ, neste grupo está a Apave (França), a Airbus Safran Launchers (França), a Tüv Süd (Alemanha), o Grupo Gtd (Espanha), a Vitrociset (Itália) e a Rovsing (Dinamarca). Nem todas as empresas quiseram divulgar o valor que lhes foi atribuído neste contrato.

“Este contrato tem como cliente final a agência espacial francesa”, indica Paulo Chaves. O que faz então o ISQ na Guiana Francesa? “Está focado num conjunto de actividades relacionadas com a monitorização do processo industrial, principalmente, na área da monitorização ambiental e segurança industrial no centro espacial”, responde.

Por exemplo, verifica se os satélites antes de serem colocados num foguetão não têm problemas, garante a segurança das operações de abastecimento dos satélites (porque estão envolvidas substâncias bastante perigosas) ou vigia a nuvem que sai do foguetão no momento da descolagem. “Chamar-lhe-ia apoio ao processo industrial”, resume ainda Paulo Chaves sobre o trabalho do ISQ. Ou seja, certifica-se se tudo está a trabalhar de acordo com os procedimentos.

“É um sinal de que o trabalho que temos desenvolvido ao longo dos anos tem sido bem feito”, sublinha Paulo Chaves sobre este contrato, dizendo que o sector espacial tem crescido ao longo dos últimos anos e o centro de Kourou é exemplo disso. Este responsável do ISQ conta que quando começou a acompanhar este projecto, em 2005, havia cinco a seis lançamentos de foguetões por ano. Actualmente há cerca de 12.

Diz ainda que a área do sector espacial de maior crescimento é a dos microssatélites e dos microlançadores, que fazem parte de uma classe inferior dos que partem do centro espacial de Kourou. Como tal, revela: “Vamos fazer os possíveis para alavancar, através desta experiência, a participação noutros centros espaciais.” O objectivo é também trabalhar com centros espaciais que lancem estes micro-engenhos. “Há várias hipóteses em cima da mesa: uma delas na Noruega e outra até é Portugal”, diz Paulo Chaves. É que actualmente está em discussão a criação de um centro de lançamentos de pequenos satélites na ilha de Santa Maria, nos Açores, no âmbito do Centro Internacional de Investigação do Atlântico (Air Center), que o Governo português quer criar no arquipélago.