Porto e Gaia viram os aviões e aproveitaram para fazer a festa

Era o dia D. Depois do dia de treinos, Porto e Gaia mataram a sede de oitos anos. As margens do Douro foram inundadas por um mar de gente que veio para ter "um dia diferente"

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A partir das 12h00 deste domingo começam as provas finais. Manuel Roberto
A partir das 12h00 deste domingo começasm as provas finais.
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A partir das 12h00 deste domingo começam as provas finais. LUSA/MIHAI STETCU / LIMEX IMAGES / HANDOUT
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A partir das 12h00 deste domingo começam as provas finais. Manuel Roberto

Quem olhasse para o Porto do lado de Gaia via um exército de pessoas alinhado na zona ribeirinha da cidade, a estender-se por centenas de metros. Com certeza que quem fizesse o mesmo do outro lado teria uma visão semelhante. Ainda nem são 10h e as cidades já se preparam para a multidão que chegaria com o desenrolar do dia para "matar a sede" das acrobacias que voltaram ao Douro oito anos depois. 

Prova que ainda é cedo é não haver fome. Na banca que Patrícia Pinto montou no jardim do Morro, em Gaia, só há “fila de formigas”. É uma espécie de cozinha ao ar livre, que foi ali montada durante a madrugada. Bebidas, cachorros, papel de alumínio, panelas e 60 quilogramas de bifanas que vão ter de esperar pela hora de almoço para acudir aos poucos que não trouxeram marmita preparada de casa.

Por esta altura, os motores ainda não roncavam nos céus do Douro e, por isso, as conversas ainda não eram abafadas pelo som dos motores das aeronaves. O Jardim do Morro parece ser o lugar predilecto para os que já conhecem os cantos às duas casas que recebem o Red Bull Air Race, já que permite uma vista frontal dos obstáculos da prova. Pelo menos, é essa a opinião de Francisco Maia, que não foi de meias medidas: trouxe um escadote.

“Não tenho de estar a espreitar e a pedir licença para ver o espectáculo. Daqui de cima vejo tudo. Posso chegar mais tarde e depois é só pôr o escadote”, conta o portuense. É um aficionado pela velocidade de qualquer tipo. “Se me disser que a WTCC vai a Lagos eu pego na minha caravana e vou”, atira o reformado. Hoje não foi preciso pegar na caravana. Foi só meter-se no metro e em pouco tempo estava aqui, na segunda fila que já se começa a formar nas varandas do Jardim do Morro. Um dos cilindros que suporta o escadote está furado para o guarda-sol que Francisco Maia vai guardar para domingo. Este sábado só trouxe marmita, onde guarda “as munições” para o resto do dia. “É preciso viver a vida. É um dia de festa”, conclui.

Mal os ouvidos detectam os ainda escassos aviões que desbravam o horizonte, as mãos são rápidas a chegar aos telemóveis ou às objectivas. O sábado de manhã estava reservado aos treinos livres, com a qualificação de ambas as classes (Master e Challenger) a ficar guardada para hoje. Algo que não parecia incomodar quem veio somente pela festa. Diogo Pinto veio de Ovar e trouxe a família. Mulher, filhos e amigos dos mais pequenos. Chegaram cedo e conquistaram um lugar na varanda do Morro. Vieram, como muitos, para “ter um dia diferente e em família”.

Lá em baixo, a marginal de Gaia ia sendo “invadida” pelos tradicionais banquinhos e por famílias que trouxeram banquete para o dia. Os bonés e óculos de sol vão sendo os melhores aliados para quem quer “ver as aventuras”, como se ouve em conversas soltas marginal adentro. É assim até à Afurada. Por volta das 12h30 parece ter havido um pacto geral para atacar as lancheiras – Porto e Gaia foram, durante momentos, palco de um piquenique gigante que só as margens do rio separou.

Um clube para outros campeonatos

O sol já começava a pesar e, no tempo em que os aviões não desfilavam sob o rio Douro, procura-se a sombra que apenas existe a espaços. Sentado numa gelataria está Delifm Ferreira. Sempre que um avião sobe a toda a velocidade em direcção ao céu e o zumbido do motor é mais intenso, tem de parar o raciocínio. É há quatro anos presidente do Aero Clube do Porto. Nunca foi piloto. Tem a função de dinamizar um clube que viveu os tempos mais áureos nas décadas de 50 e 60 do século XX. Regozija-se pela prova de aviação ter lugar no Porto, mas diz que o clube aeronáutico joga noutro tipo de campeonatos, mais modestos tendo em conta a realidade portuguesa.

Recorda, no entanto, que o  Aero Clube do Porto chegou a organizar um Rali Aéreo Internacional em 1960, que também trouxe aviões estrangeiros ao Norte de Portugal. Foram 36, na sua maioria franceses e espanhóis. É apenas um apontamento de uma prova que, embora competitiva, não guarda muitas semelhanças com o espectáculo que o Porto e Gaia recebem durante este fim-de-semana.

O dia em que tudo se vende

Na margem norte, enquanto a tarde pressiona ainda mais os resistentes que se mantêm empoleirados nas varandas até à Alfândega, começam as sessões de qualificação. Do alto do escadote, do outro lado da margem, Francisco Maia deve ter visto a vitória do canadiano Pete McLeod nas qualificações Masterclass e de Florian Berger na classe Challenger, que se discutiram entre as 12h e e às 17h.

Na passada sexta-feira, se a Ribeira condizia com a tranquilidade de um dia dedicado aos treinos, este sábado a situação era bem diferente. A azáfama em todas as artérias que ligam a cidade à zona ribeirinha até podia antever um bom dia para o negócio de quem anda com o ele “às costas”.

Num dia em que tudo se vendia, Joaquina Pinto estava a ter um dia complicado. A culpa é da oferta e não da experiência – são 35 anos a vender na zona. Hoje, a portuense apostou em trazer pipocas para uma guerra que se luta contra o sol quente.

“Estou na esperança de que, mais à hora do lanche, as pessoas venham cá”, adianta, não se deixando desmotivar pelas centenas que passam e não param. Conhece bem o movimento, parecido ao do São João e à passagem de ano. Mora perto da Ribeira e gosta sempre de “ver o espectáculo”.

Só deseja que o terminar da prova não seja também o terminar do dia para a animação e sotaques de diferentes latitudes que se ouvem: “Espero que mal acabe, não vão todos embora como baratas”. A julgar pela energia que se sente, parece que Joaquina ainda pode ter sorte. Senão, terá sempre domingo para mudar a aposta.