Marcelo: “Quando deixar de ser Presidente, não farei comentários sobre os meus sucessores”

Presidente da República respondeu a Cavaco Silva, explicando que é necessário haver “contenção” e garantindo que não faz “comentários sobre os antecessores”.

Marcelo esteve esta quinta-feira no centenário do Hospital António Lopes, na Póvoa de Lanhoso
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Marcelo esteve esta quinta-feira no centenário do Hospital António Lopes, na Póvoa de Lanhoso LUSA/HUGO DELGADO

Confrontado com as palavras do seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa não quis comentar, mas aproveitou para deixar alguns recados a Cavaco Silva, garantindo que depois de deixar Belém não vai falar sobre os seus sucessores.

Numa aula da 15.ª Universidade de Verão do PSD nesta quarta-feira, Aníbal Cavaco Silva acabou por deixar alguns recados ao actual Presidente da República, apesar de nunca ter referido o nome deste. Lembrando que “em França não passa pela cabeça de ninguém um Presidente telefonar a um jornalista para lhe passar uma notícia”, Cavaco Silva defendeu que esta é uma “estratégia que contrasta com verborreia frenética da maioria dos políticos dos nossos dias, embora não digam nada de relevante”.

Agora, questionado pelos jornalistas depois de participar no centenário do Hospital António Lopes na Póvoa de Lanhoso, e garantindo que não iria fazer comentários sobre estas declarações, Marcelo acabou por dar uma explicação sobre qual deve ser a atitude dos ex-presidentes da República relativamente àqueles que estão no cargo. Argumentando que é preciso ter “contenção”, Rebelo de Sousa afirma que é também necessário “ter muito cuidado com o relacionamento com quem foi Presidente da República ou está a ser Presidente da República”. “Por questão de cortesia, bom senso, de educação, mas sobretudo pelo respeito da função presidencial”, continuou, acrescentando que isto deve ser assim também pelo “prestígio da democracia”.

“Se os sucessivos presidentes da República não têm respeito com o que dizem uns dos outros, acabam por não se fazerem respeitar pelo povo”, disse ainda o Presidente, continuando a reflexão sobre aquilo que deve ser a relação entre antigos chefes de Estado. “Não faço comentários sobre os meus antecessores. E quando deixar de ser Presidente não farei comentários sobre os meus sucessores”, concluiu.