As eleições de 2018 "serão as mais imprevisíveis da História da democracia brasileira"

O economista do Banco Central e colunista da Folha de São Paulo diz que os brasileiros estão à espera de alguém novo em quem votar nas presidenciais de 2018, porque os nomes que agora se perfilam não entusiasmam.

Que balanço faz da mudança de liderança, um ano depois?

As expectativas geradas pelo impeachment foram amplamente frustradas. O novo Governo tem mais gente envolvida em corrupção do que o anterior, e é ainda menos popular. Temer aprovou algumas reformas económicas de peso, mas a recuperação económica não veio, pelo menos por enquanto. O clima no país é de grande desânimo com a política em geral.

Como avalia o mandato de Michel Temer?

Temer tem como prioridade não cair. Esforça-se para entregar o que querem as elites políticas e económicas. Para a elite económica, oferece reformas pró-mercado, e algumas podem ser positivas para o país, mas são feitas exclusivamente para garantir o apoio empresarial ao Governo. E, para políticos, oferece a perspectiva de enfraquecer a OperaçãoLava Jato, que compromete quase toda a elite política brasileira. Suas chances de se manter no poder são cada vez mais razoáveis. Ninguém no Brasil tem a menor esperança de que Temer não seja corrupto. Mas há um cansaço na sociedade civil, e grande desânimo com as alternativas. Se Temer caísse hoje, seria substituído por alguém eleito pelo Congresso, que com certeza também seria conservador, e com grande probabilidade também seria corrupto. Desta forma, muita gente acha que é melhor esperar a eleição de 2018 para trocar o Presidente. R.S.