Opinião

O efeito Werther e o terrorismo

Surpreende a difusão que a comunicação social dá ao terrorismo que não é senão uma manifestação do fascismo islamista.

Quando Goethe publicou o livro "O sofrimento do jovem Werther", estória de amor não correspondido, que terminou no suicídio do herói, sucedeu-se uma epidemia de suicídios. Ao efeito de contágio, mais marcado nos jovens, chamou-se “efeito Werther”.

O fenómeno, aparentemente, voltou a manifestar-se aquando da morte ou suicídio de heróis mediáticos.

Foram famosos, entre outros, o acidente-suicídio (?) de James Dean ainda com 24 anos, mas já estrela do cinema admirado, sobretudo por jovens após o filme "A Leste do Paraíso" de setembro de 1955. Mais ainda a morte, suspeita de suicídio, de Marlene Monroe em agosto de 1962!

Mas se Goethe se autoabsolvia com a sua não intenção de incrementar suicídios com a sua atividade literária, já o mesmo não se poderá dizer em 2017 perante a prova, cientificamente irrefutável, da existência do "Efeito Werther", efeito de contágio psicológico a que, sobretudo os jovens e jovens adultos são sensíveis.
Procuraremos evitar excesso de referências. Não podemos, contudo, deixar de assinalar o autor que mais estudou o fenómeno: David Phillips.

Este mostrou  na 2ª Guerra Mundial, que as taxas de suicídio aumentavam no mês seguinte a divulgação de suicídios na comunicação social!
Nós mesmo, com o Professor brasileiro Jorge Trindade supervisionamos trabalhos no ISPA (tese de licenciatura), em Lisboa, e na Universidade Luterana do Brasil, em Porto Alegre (tese de mestrado) revelando, cientificamente, que a ideação suicida aumentava nos jovens que tinham tido conhecimento de que um amigo tentara suicidar-se, em comparação com os amigos que o não sabiam...!

O que confirma, com uma metodologia experimental, o efeito Werther.

Assim como aumentava a ideação suicida em jovens estudantes universitários do Instituto Miguel Torga, em Coimbra, que tinham visto filmes de amor contrariado, terminando em suicídio (Romeu e Julieta) comparado com jovens universitários que não tinham visto os filmes (tese de mestrado).

O efeito de contágio é mais habitual nos jovens e jovens adultos, cuja identidade não está completamente consolidada.

No recente ataque na Catalunha, a idade dos terroristas situa-se entre os 17 e 28 anos.

Na Finlândia, o principal suspeito do ataque, baleado e preso, tem 18 anos.

É fácil de compreender que a exposição mediática televisiva tenha uma ação potencializadora (e não dissuasora) do fenômeno.
Eis uma área em que seria exigível, se não houvesse outros interesses envolvidos. o autocontrolo da comunicação social.

Surpreende a difusão que a comunicação social dá ao terrorismo que não é senão uma manifestação do fascismo islamista. Quando o “efeito Werther” está cientificamente estabelecido. E quando, impotentes, só procuram, eventualmente, as repercussões mediáticas, que por sua vez vai estimular outros protagonistas do terrorismo!
Os terroristas islamistas, não têm qualquer estratégia razoável e racional. Sobretudo não é universalista, como o foram, no ocidente, o cristianismo no Império romano, a revolução francesa no Sec. XVIII e o comunismo no Sec. XX.

A correlação de forças é brutalmente desigual. Os fascistas islamistas não são tão mentecaptos para o não saberem. Até porque se a sua ação é predominantemente desenvolvida no mundo islâmico - verdade que nunca poderemos esquecer. Sendo estes, quando governados por líderes moderados, os mais desejosos de lhe porem termo.

Pena é que a politica do Presidente Trump seja tão, igualmente, irracional que até põe em causa a política de Obama em relação ao Irão. Multiplicando os focos de descontrolo e risco, até de guerra nuclear.

Um dos mitos de pretensas intenções do fascismo islamista é o de que estes querem destruir o nosso tolerante e democrático estilo de vida. Mas será que o intolerante e antidemocrático estilo de vida não está bem presente na Arábia Saudita, aliada dos EUA?

E em tantos outros países muçulmanos?

Será que tem outros objetivos que não seja o ódio delinquente?

E as repercussões na comunicação social!

Fica a questão premente: o que pretende a comunicação social, sobretudo televisiva, propagando e divulgando, até á exaustão insuportável, as ações terroristas?

Salvar ou enterrar a nosso estilo de vida!

Julgo mais útil, impor-lhe, legalmente, formas específicas de contenção.

Antes, e há sintomas disso, que o nosso estilo de vida não se torne absolutamente insustentável.

Ou venham a surgir medidas mais enérgicas, tão estupidas como a de Trump!