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Trump decide contra si próprio para não deixar "vazio" no Afeganistão

O Presidente dos EUA decidiu reforçar a presença militar no país, mas não avança números nem datas. Taliban prometem "um cemitério de soldados norte-americanos".

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Donald Trump anunciou que vai prolongar a presença norte-americana no Afeganistão, depois de, durante a presidência de Barack Obama, ter descrito a intervenção militar dos EUA naquele país como um “completo desperdício de milhões” e um “disparate”. O Presidente norte-americano revelou a sua decisão numa declaração ao país, a partir da base norte-americana em Fort Myer, no sudoeste de Washington. De acordo com responsáveis da Administração, Trump autorizou o Pentágono a destacar até mais 3900 soldados, mas o Presidente norte-americano não revelou números. O discurso foi transcrito na íntegra pelo Washignton Post.

Os taliban já reagiram ao discurso de Donald Trump, prometendo transformar o Afeganistão num “novo cemitério” para os EUA se as tropas norte-americanas não deixarem o país. “Enquanto houver nem que seja um só soldado americano no nosso país, vamos continuar a nossa jihad”, afirmou o porta-voz dos taliban, Zabihullah Mujahid, citado pela Reuters.

Trump começou por elogiar os “homens e mulheres das forças militares”, sublinhando que o serviço que cumprem “transcende todas as linhas de raça, etnia, crenças e cor”. De fora ficou o género e a orientação sexual dos soldados, depois de Trump anunciar a proibição de militares transgénero nas Forças Armadas, um direito conquistado na anterior Administração.

O Presidente norte-americano lembrou – numa referência às suas declarações anteriores – que defendia inicialmente a retirada militar americana do Afeganistão, mas confessou ter mudado de opinião depois de chegar à Casa Branca.

"O meu instinto era retirar [as tropas norte-americanas] e normalmente sigo o meu instinto", disse Trump. Mas depois de uma análise, "sob todos os ângulos", do Afeganistão, Trump concluiu que uma retirada criaria um "vazio" que iria beneficiar os "terroristas", “tal como aconteceu antes do 11 de Setembro”. “As consequências de uma retirada rápida são previsíveis e inaceitáveis”, justificou.

“Não podemos repetir no Afeganistão o mesmo erro que cometemos no Iraque”, afirmou, referindo-se à saída do Iraque em 2011, ordenada pela Administração Obama.

Sem nenhuma referência directa à violência em Charlottesville, Trump apelou à “coesão” nacional, que vê representada no serviço militar. “Quando abrimos nossos corações ao patriotismo, não há espaço para o preconceito, nenhum lugar para o fanatismo e nenhuma tolerância para o ódio”, disse.

“Os jovens que enviamos para combater nossas guerras no exterior merecem retornar a um país que não está em guerra em casa. Não podemos permanecer uma força para a paz na guerra se não estivermos em paz uns com os outros. A lealdade à nossa nação exige lealdade uns aos outros. O amor pelos EUA exige amor para todas as pessoas.”

Trump abriu ainda uma porta para o diálogo com os taliban. "A dada altura, após um esforço militar eficaz, talvez seja possível ter uma solução política que inclua uma parte dos taliban no Afeganistão". "Mas ninguém sabe quando e se isso acontecerá", adiantou.

O líder da Casa Branca colocou ainda pressão no Paquistão e na Índia. “O próximo pilar da nossa nova estratégia é uma mudança na nossa abordagem em relação ao Paquistão. Não podemos mais ficar em silêncio sobre os cofres do Paquistão para as organizações terroristas, os talib e outros grupos que representam uma ameaça para a região. O Paquistão tem muito a ganhar com a parceria e com o nosso esforço no Afeganistão”, afirmou. Por outro lado, “tem muito a perder ao continuar a abrigar terroristas”, ressalvou. Pediu igualmente um esforço acrescido da Índia na resolução do conflito.

"A América vai continuar a trabalhar com o governo afegão desde que vejamos determinação e progressos", disse. "Mas o nosso compromisso não é ilimitado", sublinhando que "os americanos querem verdadeiras reformas e resultados".

Após a declaração de Trump, o secretário da Defesa norte-americano, James Mattis, reforçou em comunicado que as tropas no Afeganistão vão ser reforçadas, sem se comprometer com números. "Vou consultar o secretário-geral da NATO e os nossos aliados, muitos dos quais também se comprometeram a aumentar o número de soldados destacados", lê-se no documento.

O silêncio em relação ao número de militares que serão destacados — ou a data em que o reforço irá acontecer — é justificado por Trump como uma estratégia militar. Actualmente estão destacados no Afeganistão cerca de 8400 soldados norte-americanos e prevê-se um aumento de cerca de 4000 soldados, o número anteriormente pedido pelo secretário da Defesa.

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