Rui Moreira quer pacto eleitoral para retirar portagens das circulares do Porto

O independente que preside à Câmara do Porto participou num debate sobre como resolver os problemas de trânsito da cidade.

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Rui Moreira participou num debate sobre trânsito Manuel Roberto

O candidato independente à Câmara do Porto, Rui Moreira, apelou hoje a um “compromisso eleitoral entre todas as candidaturas” para levar o Parlamento a retirar portagens das circulares do concelho, descongestionando a VCI, onde a passagem não é taxada.

“Deixo aqui este apelo: um compromisso eleitoral com todas as candidaturas para, independentemente de qual for o resultado [das autárquicas de Outubro], haver trabalho no sentido de que as forças políticas representadas no Parlamento se comprometam a resolver este assunto. E resolver é retirar as portagens das circulares”, afirmou Moreira, em mais um debate “Conversa à Porto”, realizado na sede de campanha.

Para resolver os problemas de trânsito da cidade, que admite “estar pior”, o candidato apontou a necessidade de “mais policiamento” para evitar o “estacionamento ilegal”, defendeu “mais alguns silo-autos” (estacionamento fora da via pública), transportes públicos “com mais qualidade, confortáveis e fiáveis”, modos de transporte suave, através de ligações mecânicas e um novo sistema de gestão de tráfego.

Quanto ao fim das portagens nas circulares da zona do Porto (da CREP - Circular Regional Exterior do Porto, por exemplo), Moreira esclareceu que, sem essa medida, os automóveis que querem atravessar o Porto continuarão a usar a Via de Cintura Interna (VCI), afectando a circulação de toda a cidade.

A posição foi apoiada pelo especialista em mobilidade Álvaro Costa, para quem portajar as ex-SCUT foi “um tiro nos pés” e, no caso do Porto, empurrou “todo o tráfego para a VCI, criando um sistema irracional”.

“O trânsito flui melhor ou pior [no Porto] em função do que se passa na VCI. Sem retirar as portagens das circulares, não vamos conseguir resolver o problema do trânsito, do ambiente e da sinistralidade”, afirmou o candidato do movimento independente “O Nosso Partido é o Porto”.

De acordo com Moreira, o problema tem uma escala “metropolitana”, causando “enormes constrangimentos” aos concelhos vizinhos de Vila Nova de Gaia e de Matosinhos, pelo que seria “importantíssimo que se criasse um consenso e um caderno de encargos relativamente ao Governo”, “com todas as forças politicas e com os outros municípios”.

O candidato admite que o problema podia ser resolvido portajando a VCI, mas isso seria “extraordinariamente difícil”, desde logo pelo número de pórticos a colocar, mas também porque seria preciso definir quem teria de pagar a passagem. “Este é um cenário muito difícil, que temos de resolver, mas não depende da vontade dos responsáveis políticos da cidade”, afirmou.

Moreira disse não poder ignorar “que o trânsito na cidade está pior”, porque “há mais trânsito, mais empresas, o reavivar do comércio tradicional, turismo e muitas obras [em edifícios privados]”, destacando a importância da expansão da rede do metro, recentemente aprovada, e da gestão municipalizada da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), que “desde Janeiro aguarda” a ultrapassagem de “vagas sucessivas de entraves burocráticos”.

“Mas temos outros problemas: o estacionamento ilegal. A maior parte das vias com duas faixas é usada para estacionamento. Precisamos claramente de mais policiamento”, descreveu. Moreira anunciou que, “finalmente, a partir de Setembro”, o Porto vai dispor de mais polícias municipais e com capacidade de intervenção na área do trânsito”.

“Teremos seguramente uma divisão de trânsito da Polícia Municipal que queremos instalar no Silo Auto”, afirmou. O independente referiu ainda a “necessidade de parques ‘off street’ [fora da via pública] para compensar zonas da cidade com nova dinâmica e pressão”.