Crítica Cinema

O segredo do filme é o par

A realização telefilmesca percebe bem que o segredo de Nunca é Tarde para Amar está no par de actores a trabalhar em conjunto: Diane Keaton e Brendan Gleeson.

Só Diane Keaton e Brendan Gleeson, embora em overacting, se assemelham a algo de genuíno em <i>Nunca é Tarde para Amar</i>
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Só Diane Keaton e Brendan Gleeson, embora em overacting, se assemelham a algo de genuíno em Nunca é Tarde para Amar

Produção britânica, dirigida pelo razoavelmente anónimo Joel Hopkins, que funciona por “um mais um”: juntar o tema do amor romântico entre pessoas duma certa idade ao tema, político e social, da gentrificação de zonas populares e tradicionais das grandes cidades (aqui a zona de Hampstead, em Londres).

Para sustentar isso, outro “um mais um”, agora no elenco, pondo a contracenar dois actores comprovadamente bons e agradáveis e que, por questões relacionadas com o estado em que está o cinema industrial de primeira linha, raramente têm ocasião para serem protagonistas.

Os actores, aqui, são Diane Keaton e Brendan Gleeson, e também são eles os únicos que, embora em overacting quase constante, se assemelham a qualquer coisa de genuíno. Keaton é uma viúva americana e Gleeson, numa personagem baseada numa figura real, um velho irlandês teimoso que vive numa cabana num jardim (espécie de Walden de Hampstead) e se recusa a abandoná-la contra tudo e contra todos.

Os contornos desta relação — as questões familiares, as ressonâncias políticas — são dadas de forma completamente formulaica, ao bom estilo daquele cinema britânico muito light que ao realismo diz “nada” (ou diz, apenas, “tema”). A realização telefilmesca de Hopkins percebe bem que o segredo do filme está naquele par de actores a trabalhar em conjunto, e nem se esforça muito para disfarçar. Vê-los, e sobretudo matar saudades de Keaton, é a única razão que justifica uma ida a Nunca é Tarde para Amar