Índia abre inquérito à morte de 63 crianças num hospital em cinco dias

Algumas das vítimas eram bebés. Suspeita-se que não tiveram acesso a ajuda com oxigénio por dívidas do hospital ao fornecedor.

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LUSA/STRINGER
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As autoridades da Índia estão a investigar a morte alegadamente por negligência de mais de 60 crianças, algumas delas bebés, nos últimos cinco dias num hospital do norte do país.

“Yogi Adityanath [chefe do governo do Estado de Uttar Pradesh, o mais populoso do país com 200 milhões de habitantes] pediu que o caso fosse investigado e garantiu uma acção firme”, indicou o seu gabinete numa mensagem Twitter.

Adiantou que os ministros da Saúde do Uttar Pradesh e o da Educação Médica, igualmente o porta-voz do executivo regional, Ashutosh Tandon, vão deslocar-se a Gorakhpur, onde se localiza o hospital Baba Raghav Das Medical College, onde as vítimas mortais se encontravam em tratamento.

Pelo menos 63 crianças morreram devido a encefalite e a falta de oxigénio desde segunda-feira, 30 das mortes ocorreram nas últimas 48 horas, informou a agência local IANS.

Segundo a imprensa local, as crianças morreram depois de a empresa fornecedora de oxigénio ter cancelado as entregas ao hospital em questão, aparentemente por falta de pagamento de facturas no valor de 6,8 milhões de rupias (89.600 euros).

O Uttar Pradesh é governado pelo partido de direita Bharatiya Janata Party (BJP) do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

O líder da oposição Rahul Gandhi, do histórico Partido do Congresso, declarou-se “triste” com o sucedido, considerando no Twitter que “o governo do BJP é responsável e deve punir a negligência e quem causou a tragédia”.

Os hospitais públicos indianos enfrentam diariamente grandes constrangimentos e vivem à beira da ruptura: os doentes enfrentam longas filas de espera, mesmo para as intervenções mais simples, e muitas vezes são obrigados a partilhar camas.

Os indianos que conseguem evitar os hospitais públicos e recorrer a clínicas privadas, onde uma consulta pode custar em média 1000 rupias (mais de 13 euros), são uma minoria, num país onde milhões de pessoas vivem com menos de dois euros por dia.

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