Nelson Évora continua a ser dos grandes momentos

Medalha de bronze para o saltador português em Londres, a sua quarta medalha em Mundiais de atletismo.

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No primeiro salto, Évora atingiu a marca dos 17,02 m Reuters/FABRIZIO BENSCH
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No primeiro salto, Évora atingiu a marca dos 17,02 m Reuters/DYLAN MARTINEZ
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Ao segundo salto, o atleta português chegou aos 17,19 m EPA/FRANCK ROBICHON
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Ao segundo salto, o atleta português chegou aos 17,19 m EPA/FRANCK ROBICHON
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Nelson Évora era o mais velho dos finalistas do triplo salto Reuters/DYLAN MARTINEZ
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16,58 m foi a marca alcançada na terceira ronda de saltos Reuters/DYLAN MARTINEZ
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Na quarta e na quinta ronda de saltos, Évora fez dois ensaios nulos EPA/DIEGO AZUBEL
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Nelson Évora chegou ao terceiro lugar logo a partir da segunda ronda Reuters/FABRIZIO BENSCH
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Nelson Évora chegou ao terceiro lugar logo a partir da segunda ronda REUTERS/KAI PFAFFENBACH
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Na sexta e última ronda de saltos, o atleta português fez a marca de 16,01 m EPA/FRANCK ROBICHON
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Na sexta e última ronda de saltos, o atleta português fez a marca de 16,01 m LUSA/FRANCK ROBICHON

Com 33 anos, Nelson Évora era o mais velho entre os 12 finalistas do triplo salto nos Mundiais de atletismo de Londres. Da final de há dez anos, em Osaka, em que fora campeão mundial, era o único que estava na noite desta quinta-feira na capital britânica. Nos dez anos que passaram, o saltador português passou por momentos altíssimos (título olímpico em 2008, vice-campeão mundial em 2009) e por momentos muito baixos (lesões sucessivas que lhe ameaçaram a carreira), mas agora mostrou, como se ainda precisasse de o fazer, que é um atleta feito para os grandes momentos. Numa final em que os dois primeiros pareciam inacessíveis, Nelson Évora ficou com o terceiro lugar e a medalha de bronze, a primeira de Portugal nestes Mundiais, e a quarta da sua carreira.

Desde muito cedo a luta pelo título se resumiu a um jogo de parada e resposta entre dois norte-americanos. Will Claye (26 anos) e Christian Taylor (27 anos) separaram-se da restante concorrência nas primeiras séries de saltos, enquanto a luta pela medalha de bronze parecia completamente em aberto. Depois de um primeiro salto a 17,02m, que o deixou em quarto, Évora fez na segunda ronda aquele que o deixaria em posição de bronze até ao final do concurso, os 17,19m. Depois, houve muita gente a ficar muito perto. Nada menos que três saltaram a 17,16m, o cubano Cristian Nápoles, o cubano do Azerbaijão Alexis Copello e o norte-americano Chris Bernard, sendo que Nápoles fez essa marca por duas vezes, uma delas no sexto salto.

Depois daquele salto que lhe valeria o bronze, Évora baixou para 16,58m no terceiro ensaio e fez dois nulos nas quarta e quintas tentativas. Já com o pódio garantido, Évora fez o seu pior salto do concurso, a apenas 16,01m. A luta pelo título acabou por favorecer Christian Taylor, que conquistou mais uma medalha de ouro, graças aos 17,68m que saltou na terceira ronda, superiorizando-se por apenas cinco centímetros ao seu compatriota Will Claye, que chegou a liderar o concurso. Este foi o terceiro título mundial para Taylor, depois de Daegu 2011 e Pequim 2015, mas com uma marca bastante distante daquele que é o seu recorde pessoal (18,21m).

O salto que valeu o bronze acaba por ser uma marca relativamente discreta na carreira de Évora e na história dos próprios campeonatos. É a terceira pior marca a valer uma medalha no triplo salto dos Mundiais, depois dos 17,18m que valeram prata a Willie Banks e bronze a Ajayi Agbebaku, nos já distantes Mundiais de 1983, em Roma. E no que diz respeito à marca vencedora, só houve três campeões mundiais do triplo a fazer menos que os 17,68m de Taylor: Zdzislaw Hoffmann em 1983 (17,42m), Charle Friedek em 1999 (17,59m) e Walter Davis em 2005 (17,57m).

Esta foi a quarta medalha de Évora em seis participações em Mundiais. Começou em Helsínquia 2005, em que falhou a qualificação por pouco, mas dois anos depois, em Osaka, era campeão do mundo com uma marca que ainda hoje vale como recorde de Portugal (17,74m). Depois, em Berlim 2009, fez 17,55m para uma medalha de prata, atrás do britânico Phillips Idowu, e, já depois do calvário das lesões, fez 17,52m em Pequim 2015, atrás de Taylor e do cubano Pedro Pablo Pichardo – desertou de Cuba para Portugal e, por isso, não esteve em Londres.

Muito feliz por dar mais esta alegria aos portugueses!! #londres2017 #bronzemedal

Publicado por Nelson Évora em Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

O bronze em Londres surgiu numa altura de todas as mudanças na carreira de Évora. Depois dos Jogos Olímpicos do ano passado no Rio de Janeiro (em que foi sexto na final), Évora mudou de treinador e de clube. Deixou de trabalhar com João Ganço e abandonu o Benfica, passando a treinar em Espanha com o antigo saltador cubano Iván Pedroso e a representar o Sporting. Já tinha tido uma boa conquista em 2017, ao triunfar nos Europeus de pista coberta, em Belgrado, com aquela que era a sua melhor marca do ano (17,20m).

Se pensarmos que, há não muito tempo, as perspectivas de Évora em regressar ao mais alto nível não eram as melhores, o saltador nascido na Costa do Marfim tem mostrado em todas as ocasiões uma resiliência própria dos grandes campeões. Falhou os Jogos de Londres em 2012 por problemas físicos, mas conseguiu agora ser feliz na capital britânica. E nem a medalha fez com que quisesse prestar declarações na zona mista aos jornalistas portugueses em Londres, ele que tem passado estes dias em silêncio, nem sequer falando publicamente após a qualificação.

Apenas parou para os canais oficiais da IAAF e falou na conferência de imprensa dos medalhados. “Estou muito satisfeito com este bronze. Queria mais, mas esta foi uma época muito difícil para mim. Queria competir mais este ano, estava pronto para os meetings da Liga Diamante, mas não me deixaram participar. Não sei porquê”, disse Évora, que dedicou a medalha à madrasta, recentemente falecida. “Antes do meeting de Doha, a minha madrasta morreu… Eu cresci com ela e foi muito difícil para mim. Mudei de treinador, mudei o meu treino, mudei de vida. Treino agora com uma lenda, o Ivan Pedroso, e esta medalha deixa-me muito satisfeito. 17,19m não é o melhor resultado, mas bronze é bronze e não há razão para ficar descontente. Quero dedicar a medalha à minha madrasta.”

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