Coreia do Norte já tem bombas nucleares para os seus mísseis, dizem EUA

Novo relatório mostra que desenvolvimento do programa nuclear norte-coreano é bem mais avançado do que se pensava e coloca o regime no patamar das "potências nucleares".

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O regime de Kim Jong-un tem multiplicado os testes balísticos nos últimos meses Reuters/KCNA

A Coreia do Norte já consegue produzir ogivas nucleares que podem serem transportadas por mísseis balísticos, de acordo com um relatório norte-americano revelado pelo Washington Post. Este é considerado um dos passos mais importantes do programa nuclear norte-coreano e que a generalidade dos analistas julgava estar ainda longe do alcance do regime liderado por Kim Jong-un.

O relatório consultado pelo diário norte-americano é atribuído à Agência de Informação de Defesa, mas não houve qualquer confirmação oficial. O documento conclui que “a Coreia do Norte produziu armas nucleares para transporte por mísseis balísticos, incluindo transporte por mísseis ICBM”, sigla em inglês para mísseis intercontinentais.

Esta terça-feira também o Japão divulgou um estudo feito pelo Ministério da Defesa que apresenta conclusões semelhantes, embora apenas refira a "possibilidade" de esse feito ter sido alcançado.

A miniaturização de ogivas nucleares representa um avanço considerável no programa nuclear norte-coreano, abrindo a possibilidade de o regime poder armar com uma bomba nuclear mísseis de longo alcance, capazes de atingir uma distância superior a seis mil quilómetros.

As primeiras suspeitas de que a Coreia do Norte teria alcançado este limiar – considerado o ponto em que um país se define como uma potência nuclear – surgiram em Março do ano passado. Na altura, a agência noticiosa estatal, KCNA, divulgou uma fotografia de Kim próximo de uma esfera cinzenta que muitos observadores disseram poder tratar-se de uma ogiva miniaturizada. Porém, a comunidade científica mostrou grandes dúvidas quanto à veracidade do aparelho apresentado.

Até agora, as estimativas davam como provável que o regime conseguisse testar de forma bem-sucedida um míssil nuclear intercontinental com uma ogiva miniaturizada dentro de cinco anos. Porém, alguns analistas diziam que a Coreia do Norte já teria conseguido desenvolver armas nucleares suficientemente adaptadas para serem transportadas por mísseis de curto e médio alcance.

Mas o programa nuclear do regime norte-coreano tem desafiado várias previsões. No mês passado, Pyongyang testou com sucesso pela primeira vez mísseis de longo alcance, o último dos quais capaz de atingir várias cidades dos EUA. Novas estimativas também concluem que o arsenal nuclear norte-coreano poderá ser superior ao que se pensava.

As conclusões da comunidade de defesa norte-americana surgem poucos dias depois de o Conselho de Segurança da ONU ter adoptado um dos pacotes mais duros de sanções contra a Coreia do Norte, com o objectivo de forçar o regime a travar os testes nucleares e balísticos e sentar-se à mesa das negociações. Os EUA têm insistido no papel da China para pressionar Pyongyang a abandonar as suas ambições nucleares.

Os sucessivos ensaios da Coreia do Norte elevaram a tensão na região nos últimos meses e tornaram-se no principal desafio externo do Presidente dos EUA, Donald Trump, que no início do ano prometeu que iria impedir o regime de Kim de conseguir desenvolver armas nucleares capazes de atingir o país.