BE apela à Câmara de Beja para suspender a expulsão de famílias ciganas

Cerca de 20 famílias ciganas foram notificadas para abandonar o local onde se encontram. Se recusarem estarão sujeitas a uma intervenção “coerciva”.

Enric Vives-Rubio
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Enric Vives-Rubio

A notificação que a Câmara de Beja apresentou a cerca de duas dezenas de famílias ciganas que vivem em tendas, barracas e caravanas no Bairro das Pedreiras, nos arredores da cidade, para que estas abandonem o local até à próxima quinta-feira deixou preocupada a coordenadora distrital de Beja do Bloco de Esquerda. Esta força política acusa a autarquia de praticar “actos de discriminação contra a comunidade cigana”, intimando-as a levantarem as tendas até 10 de Agosto, “sob pena de execução coerciva, numa ameaça pouco velada de intervenção policial”, refere o comunicado enviado ao PÚBLICO.

O “parque nómada” foi criado pela Câmara de Beja, no ano 2000, quando iniciou a transferência de meia centena de famílias ciganas sedentárias de um bairro de lata para instalações construídas em alvenaria no Bairro das Pedreiras, junto ao canil municipal de Beja.

Entretanto o “parque” foi crescendo e “transformou-se num gueto, perante a passividade da Câmara”, referem os bloquistas, criticando o presidente da autarquia, João Rocha, por ter “decretado o despejo de dezenas de famílias, sem alternativa, pondo em causa até a frequência escolar das crianças aí residentes”. O comunicado do BE diz que não se resolvem problemas sociais “enxotando” comunidades para uma vida nómada, “à semelhança do que fez o salazarismo durante quase 50 anos”, ao mesmo tempo que considera “inaceitável a ameaça de recurso à violência policial contra uma comunidade, incluindo crianças, mulheres e idosos”.

O BE lembra que uma autarquia de esquerda não pode invocar “a lei (em abstracto) contra a grei”, na senda da campanha xenófoba do candidato do PSD em Loures, André Ventura”, frisando que a “alternativa à repressão é fomentar políticas sociais inclusivas”, no domínio da habitação, de forma garantir a integração das diversas comunidades. Este objectivo foi avançado pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino, em recentes declarações ao PÚBLICO, e o Bloco assume que “está disponível” para a concretização destas políticas sociais “no quadro da discussão do Orçamento de Estado para 2018”, garante esta força política.