Bitcoins pagas pelos resgates do WannaCry foram movimentadas

As carteiras de bitcoins dos responsáveis pelo WannaCry estão a zeros. Tinham cerca de 118 mil euros.

O dinheiro  pode ser utilizado para financiar serviços na Dark Web, uma parte da Web que não está acessível através de motores de busca
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O dinheiro pode ser utilizado para financiar serviços na Dark Web, uma parte da Web que não está acessível através de motores de busca LUSA/RITCHIE B. TONGO

O balanço das carteiras digitais associadas ao Wannacry está a zeros. Quase três meses depois do começo do ciberataque à escala mundial – que afectou mais de 200 mil computadores –, os criminosos informáticos movimentaram os fundos: esta quinta-feira, cerca de 118 mil euros em bitcoins (uma divisa digital muito utilizada para transacções ilegai porque facilita o anonimato dos utilizadores) foram retirados das três carteiras online ligadas aos pedidos de resgate, o que não quer dizer que aquelas bitcoins tenham sido convertidas em dinheiro.

Segundo a empresa Eliptic, que monitoriza actividades ilegais com bitcoins, os fundos começaram a ser movimentados a semana passada. Entre 24 de Julho e 2 de Agosto, foram movimentados cerca de 20 mil euros. Depois, os assaltantes aceleraram o processo, mostra a conta de Twitter automatizada @Actual_Ransom. Foi criada em Maio pela publicação online Quartz para monitorizar as carteiras digitais criadas pelos atacantes para receber o dinheiro do resgate dos ficheiros das vítimas.

Os atacantes (cujo vírus encriptava os ficheiros dos computadores infectados) prometiam que as vítimas do ataque podiam pagar para voltar a ter acesso aos seus dados. Apesar de as autoridades não recomendarem o pagamento (que variava entre os 300 e 600 dólares em bitcoins), porque a promessa de restabelecer o acesso aos ficheiros não podia ser garantida, as carteiras não pararam de receber transferências ao longo dos últimos meses.

Apesar dos fundos digitais terem sido movimentados, podem não ser convertidos em dinheiro. Em declarações à BBC, Andy Patel, um engenheiro da empresa de segurança Finlandesa F-Secure, explica que é mais mais provável que os fundos sejam a ser transferido para outras contas de bitcoin, tornando-o menos fácil de o monitorizar. "Não imagino que tentem transformar as bitcoins em dinheiro de verdade. Se o fizerem, estão a dar a alguém uma forma de seguir o movimento do dinheiro até uma pessoa real", disse Patel.

Em vez disso, os fundos podem ser utilizados para fazer compras de bens e serviços na dark web, uma parte da Web que não está acessível através de motores de busca como o Google, e na qual as bitcoins são frequentemente usadas.