Desde que Liu Xiaobo morreu, ninguém sabe da sua mulher

Advogado de Liu Xia acusa as autoridades chinesas de terem levado a mulher do prémio Nobel da Paz para um “local desconhecido”.

Liu Xiaobo morreu enquanto cumpria uma pena de prisão por conspirar contra o Estado chinês
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Liu Xiaobo morreu enquanto cumpria uma pena de prisão por conspirar contra o Estado chinês EPA/DAVID CHANG

Há quase um mês que a viúva do escritor e dissidente chinês Liu Xiaobo está desaparecida, de acordo com o seu advogado, que pede explicações ao Governo de Pequim.

A última vez que a poeta Liu Xia contactou com alguém do seu círculo próximo foi a 12 de Julho, na véspera do anúncio da morte de Liu Xiaobo. Desde então, diz o advogado Jared Genser, Liu foi mantida “presa e incomunicável num local desconhecido pelas autoridades chinesas”.

A denúncia do advogado foi feita junto de um painel das Nações Unidas sobre "desaparecimentos forçados ou  involuntários", diz a BBC. “Peço às autoridades chinesas para fornecerem imediatamente provas de que Liu Xia está viva e que lhe permitam acesso irrestrito à sua família, amigos, advogados e à comunidade internacional”, disse Genser, citado pela AFP.

Os EUA e a União Europeia também já exigiram à China que libertassem Liu, que se encontra em prisão domiciliária desde 2010, sem que lhe tenha sido feita qualquer acusação. Amigos e familiares dizem que a escritora sofre de uma profunda depressão depois de ter passado anos praticamente isolada.

As autoridades chinesas negam que Liu esteja desaparecida e dizem que apenas não contactou com amigos ou familiares por causa do luto que ainda está a fazer pela morte do marido. Pequim tem recusado vários pedidos de governos estrangeiros para contactar com Liu Xia.

A poeta recebeu autorização para visitar o marido uma vez por mês na prisão, mas apenas a deixaram ver Liu Xiaobo no hospital na fase final da sua doença.

Liu Xiaobo morreu a 13 de Julho num hospital para onde foi transferido poucas semanas antes do estabelecimento prisional onde cumpria uma pena de 11 anos de prisão por “crimes contra o Estado”. O escritor foi preso em 2009 por ter sido um dos autores da Carta 08 – um documento em que pedia a introdução de reformas democráticas na China. Em 2010, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz, mas Liu foi impedido de o receber.