“Marcelo é muito impactante e isso deixa marca nas pessoas”

Carlos Brito, professor da Faculdade de Economia do Porto, declara que o “efeito Marcelo não é suficientemente contagiante para levar alguém a desistir de apresentar cartazes”.

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Marcelo Rebelo de Sousa recusou cartazes na campanha das presidenciais Sibila Lind

Marcelo Rebelo de Sousa recusou cartazes na disputa das eleições presidenciais de 2016. Embora invulgar, não foi uma decisão inédita. Cinco anos antes, o seu antecessor na Presidência da República, Cavaco Silva, também prescindiu deles na campanha da sua reeleição para Belém.

Carlos Brito, professor de Marketing da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, considera que o “efeito Marcelo Rebelo de Sousa ainda não é suficientemente contagiante para levar alguém a desistir de apresentar cartazes”. Mas acredita que o estilo de governação do Presidente da República, ”muito informal e muito baseado na proximidade, vai fazer escola em termos de política eleitoral e partidária”. “Marcelo é muito impactante e isso deixa marca nas pessoas”, afirma Carlos Brito, para quem o actual Presidente “é claramente um líder e um líder é aquele que cuida dos seus, que somos todos nós”.

O também professor Luís António Santos, que lecciona Ciências da Comunicação na Universidade do Minho, admite que possa haver a tentação de alguns candidatos autárquicos quererem acrescentar a “camada de dinâmica de vitória transportada de Marcelo Rebelo de Sousa para as suas campanhas”. Mas alerta que o actual Presidente é alguém “com traços muito específicos de personalidade” e “uma pessoa muito segura de si”.

“Vamos imaginar um candidato que foi um excelente técnico e que é um excelente membro da concelhia, mas que nunca foi reconhecido por ter essa proximidade [que Marcelo tem] com as pessoas e por ter essa relação mais afectiva, por exemplo. Ele não pode, de repente, aliar-se a uma imagem marcelizada e ter sucesso. Acho que isso é muito difícil, as coisas não vão lá assim”, observa, em declarações ao PÚBLICO.

Afirmando não saber se a “forma de estar de Marcelo é uma fórmula que se consegue adaptar a outras personalidades e a outros contextos”, Luís António Santos toca numa questão que, de algum modo, explica o capital de popularidade do Presidente da República. “Há uma coisa que o Presidente da República tem e que o tornou único, que foi a questão vital de ser presença assídua da casa de todos os portugueses durante anos seguidos (na televisão). Isto dá-lhe um capital de notoriedade muito acima do resto dos políticos “.

A terminar, o professor da Universidade do Minho detém-se nos traços do Presidente da República que – sustenta –  “são muito específicos da sua personalidade e que, eventualmente, podem já nesta fase não ter muito a ver com estratégia de autopromoção, mas mais com uma postura pessoal muito próxima daquilo que ele realmente é”.