Cada vez mais migrantes menores sozinhos são detidos na Grécia

Human Rights Watch diz que o aumento é "alarmante" e pede às autoridades que não deixem crianças não acompanhadas na prisão.

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HRW pede ao Governo grego medidas urgentes para que os menores não estejam em prisões YANNIS KOLESIDIS/EPA

Há hoje 117 menores não acompanhados sob custódia policial na Grécia, diz a organização de defesa dos direitos humanos Human Rigts Watch, pedindo ao ministro encarregado pela política de Migração, Yiannis Mouzalas, que não mantenha as crianças em prisões.

O número de menores de 18 anos que estão de facto presos tem vindo a aumentar nos últimos meses – de quatro menores presos no final de Janeiro deste ano, o número tem vindo sempre a subir. Os dados são do Centro Nacional para a Solidariedade Social, um organismo governamental.

A Human Rights Watch escreveu ao ministro pedindo "medidas urgentes" ao Governo para "reduzir o número de crianças migrantes não acompanhadas sob custódia policial".

A prisão é contrária à lei grega e internacional, sublinha a Human Rights Watch. Mas as autoridades dizem que esta é a alternativa quando não há mais espaço para crianças nos centros de acolhimento.

Ainda segundo os dados do Centro Nacional para a Solidariedade Social, estima-se que haja 2350 menores não acompanhados no país neste momento, e 1350 estão em listas de espera para abrigo, incluindo 246 que estão em centros de recepção e identificação ("hotspots") e os 117 que estão a cargo da polícia.

Não é claro exactamente quanto tempo é que os menores ficam nesta situação, mas um relatório recente indica que a detenção é "prolongada" e que pode durar várias semanas.

No final do ano passado, a Human Rights Watch entrevistou alguns menores sobre as condições da detenção e encontrou relatos de péssimas condições: menores em celas sem colchões, com ratos ou pulgas, sem comida suficiente e juntos com adultos e presos de delito comum.