Cena Lusófona pede chave da nova casa à autarquia de Coimbra

Associação e câmara municipal assinaram acordo de comodato em Maio, mas instituição continua sem acesso ao novo espaço

 A obra no antigo Colégio das Artes iniciou-se em 2012 e foi dada como terminada em 2015
Foto
A obra no antigo Colégio das Artes iniciou-se em 2012 e foi dada como terminada em 2015 ADRIANO MIRANDA

Dois meses depois de rubricar um protocolo de comodato com a autarquia de Coimbra, a Cena Lusófona esperava já ter uma nova casa. A associação assinou no passado dia 24 de Maio um acordo com a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) para a sua instalação na renovada Ala Central do Antigo Colégio das Artes, no Pátio da Inquisição, mas ainda não recebeu as chaves.

A Cena Lusófona, que trabalha na dinamização da comunicação teatral entre países de língua oficial portuguesa, ironiza e refere em comunicado que os serviços da autarquia “perderam a chave”, impossibilitando assim o cumprimento protocolo que prevê a instalação durante cinco anos.

Passaram 10 semanas desde a assinatura do documento em sessão pública nos Paços do Concelho sendo que, ao longo deste período, a associação procurou obter esclarecimentos através de e-mail endereçados à vereadora da Cultura, Carina Gomes. Segundo a associação, na única resposta da vereadora datada de 9 de Junho, a responsável dava conta do “máximo interesse na rápida instalação” e assegurava estar a “diligenciar para resolver pequenas questões”. Carina Gomes informava ainda que daria notícias “muito em breve”.

A Cena Lusófona, que é dirigida por António Augusto Barros (também director artístico da companhia Escola da Noite, instalada num equipamento municipal), entende que “muito em breve” é “um conceito relativo” mas nota que “há limites para a sua elasticidade”.

Em resposta ao pedido de esclarecimento feito pelo PÚBLICO, a CMC refere apenas que “teve a necessidade de desenvolver um processo de contratação pública para que possa existir controlo dos acessos mecânicos”. A autarquia explica que este controlo será assegurado por “um sistema electrónico” e “estima” que esteja em “funcionamento brevemente”.

As questões endereçadas ao gabinete de comunicação da autarquia incluíam ainda a alegada não prestação de informações à associação, bem como que entidades mais pretendia a câmara instalar no edifício do Pátio da inquisição, mas não foram prestados mais esclarecimentos.

Sem instalações desde 2001

A Cena Lusófona está sem casa própria há 16 anos. Criada em 1996, foi então instalada no sótão da Ala Central do Antigo Colégio das Artes. No entanto, em 2001, “devido às recorrentes infiltrações de água que ameaçavam destruir o espólio do Centro de Documentação e Informação”, a associação teve que deixar o espaço, passando arrendar, a expensas próprias, instalações provisórias. Espaço esse que teve que deixar em 2016, “quando deixou de ter dinheiro para pagar a renda”. Neste processo, “a Cena Lusófona gastou desnecessariamente verbas que poderiam estar a ser aplicadas em actividades culturais do interesse do município”.

Com a suspensão do funcionamento, o público “ficou privado” do centro de documentação, que a associação classifica como “único no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”. A nota dá ainda conta de que a Cena Lusófona ficou “muito limitada na sua capacidade de conceber e executar outros projectos”.

Desde o ano de fundação da instituição que estava acordado com a CMC e o Ministério da Cultura a criação de uma sede da associação. A Ala Central do Antigo Colégio das Artes, construída no século XVI, foi então reabilitada com recurso a fundos comunitários.

Segundo a cena Lusófona, na memória descritiva da candidatura aprovada no âmbito do programa Mais Centro (QREN) pode ler-se que “a intervenção pretende recuperar o corpo central do Antigo Colégio das Artes (…) para instalação da sede da Cena Lusófona”. A obra iniciou-se em 2012 e foi dada como terminada em 2015, quando a autarquia submeteu o relatório final.

No entanto, de acordo com o processo consultado pela Agência Lusa em 2016, em Janeiro de 2015 o projecto sofreu alterações no seu contrato a pedido da câmara de Coimbra. Com as modificações, a autarquia pretendia instalar no mesmo espaço uma incubadora para indústrias criativas e um gabinete de apoio ao investidor. Assim, a Cena Lusófona fica com dois dos três pisos do edifício.