Montepio considera OPA da Mutualista "amigável" e que preço se ajusta

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) considera “amigável” a OPA lançada pela Associação Mutualista Montepio sobre os títulos do seu fundo de participação e que o preço oferecido “contempla de modo relevante os interesses” dos destinatários da oferta.

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LUSA/JOÃO RELVAS

“O Conselho de Administração Executivo entende que a oferta, não obstante não ter sido solicitada, é amigável”, lê-se no relatório do Conselho de Administração do banco mutualista sobre a Oferta Pública de Aquisição (OPA), hoje divulgado.

Quanto à contrapartida oferecida, de um euro por título, a CEMG diz que “representa um prémio de 101% relativamente à cotação de fecho da unidade de participação no dia do anúncio preliminar e um prémio de 116% face à cotação média ponderada dos seis meses anteriores”.

Quando a OPA foi anunciada, em 4 de Julho, os títulos do Montepio fecharam a 0,497 euros e logo na sessão seguinte subiram para o preço da OPA, valor a que fecharam também hoje.

Estes títulos não são acções, mas estão cotados em bolsa e incluídos no PSI20.

O banco liderado por Félix Morgado considera que o preço não inclui um prémio de controlo, até porque, recorda, “detém, e sempre deteve, o controlo da CEMG”, mas que “comtempla de modo relevante os interesses dos destinatários da oferta”.

A Associação Mutualista Montepio Geral pediu na segunda-feira da semana passada o registo da OPA sobre o fundo de participação da Caixa Económica Montepio Geral.

Na operação, a associação poderá gastar cerca de 86 milhões de euros tendo em conta as Unidades de Participação da Caixa Económica Montepio Geral que não estão em suas mãos.

A Associação Mutualista Montepio Geral disse, no anúncio da OPA, ser sua intenção promover o mecanismo de perda da qualidade de sociedade aberta, pelo que caso a OPA vá avante e tenha sucesso os títulos da CEMG deixarão de ser cotados em bolsa.

A Associação Mutualista é o topo do Grupo Montepio e tem como principal empresa subsidiária a CEMG, que desenvolve o negócio bancário.

Ao que tudo indica, esta OPA tem como objectivo preparar a nova fase do banco mutualista.

É conhecido que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pode vir a entrar no capital da Caixa Económica, deixando a totalidade do capital social de ser propriedade a 100% da Associação Mutualista.

O provedor da Santa Casa, Santana Lopes, tem dito, contudo, que esta "só participará num processo estratégico, amplo, de todo o sector social", que "não aparecerá sozinha, individualmente, em nada".

A CEMG teve lucros de 13 milhões de euros entre Janeiro e Junho deste ano, que compara com o prejuízo de 68 milhões de euros registados no primeiro semestre de 2016.

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