Colbert tem nova série de animação sobre Trump, "o Presidente Cartoon"

Já neste Outono, a série estreia-se nos EUA num canal que sabe a "atenção" que vai ter com o novo projecto. Efeito Trump nas audiências continua a ser rentável para os canais.

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É uma comédia sobre um local de trabalho, só que esse escritório é a Casa Branca e o CEO é Donald Trump. Stephen Colbert, cujo trabalho no último ano se focou em sátira diária ao Presidente dos EUA com audiências vencedoras a condizer, vai assinar uma série de animação sobre Trump já neste Outono. A família Trump, os seus correligionários e o que é “trumpiano” são o foco desta comédia, com Colbert “orgulhoso” por ir acompanhar mais uma vez o “Presidente Cartoon”.

A nova série de dez episódios para o canal Showtime foi anunciada quinta-feira ao final do dia (hora de Lisboa) pelas publicações do sector Variety e Hollywood Reporter. Colbert acumula assim o seu cargo como apresentador do histórico Late Show do canal generalista CBS com o de produtor da nova série de 30 minutos semanais, ainda sem título, para o canal por subscrição, que pertence ao mesmo grupo e que é responsável por programas tão diferentes quanto a nova temporada de Twin Peaks (em Portugal no TVSéries), Californication (em Portugal no extinto FX e na RTP2), ou Segurança Nacional (em Portugal na Fox).

Além de Colbert, a série é assinada por Chris Licht, showrunner (coordenador geral) do Late Show, e o aspecto do Presidente em cartoon já será conhecido – o talk show da CBS, transmitido em horário nobre em Portugal na SIC Radical, já contou com aparições de uma versão animada do 45.º Presidente dos EUA. Esta é assinada pelo seu co-criador, Tim Luecke, que será o animador principal e também produtor executivo da nova série. 

O novo programa destina-se a fazer “estudos de personagem em busca de uma personagem através dos olhos de uma equipa imaginária de documentários”, como explica a Showtime em comunicado, e quer, segundo o humorista e apresentador, “partilhar o homem por trás da MAGA” – acrónimo para o lema de campanha “make America great again”, que Colbert usa aqui como substituto quase homófono de “mask”, ou “máscara” em inglês. “Estou honrado por o Presidente de Animação ter convidado a nossa equipa de documentário para o seu mundo privado”. Um mundo de trabalho, “em que o escritório por acaso é oval”, prossegue a Showtime, onde decorrem “as aventuras mais ou menos verdadeiras dos confidentes e bon vivants de Trump – família, principais camaradas, responsáveis do governo, golfistas profissionais e qualquer outra pessoa que vagueie para a sua órbita”.

Segundo a Variety, a produção está a decorrer mas será sobretudo focada nas semanas imediatamente antes da estreia para poder acompanhar o mais perto possível as diatribes reais do Presidente.

O efeito Donald Trump nas audiências norte-americanas é um tema tanto tácito – há evidentes vencedores e perdedores no pós-eleições presidenciais de 2016 – quanto criticado – nem todos os humoristas, por exemplo, gostaram ser chamados às habituais análises sobre como um Presidente republicano pode facilitar-lhes a vida no que toca à escolha de temas. O presidente da CBS, Leslie Moonves, disse polemicamente em vésperas da eleição de Outubro passado que a atenção dada à campanha e a actividade de Donald Trump em geral “pode não ser boa para a América, mas é bem boa para a CBS”. E é um facto que Stephen Colbert e o seu talk show têm lucrado com a sua crítica constante ao novo Presidente.

As suas audiências suplantaram as do seu concorrente directo, Jimmy Fallon, e tornaram o ex-Comedy Central no líder do late night americano ao falar diariamente da Casa Branca e do noticiário Trump. Outro exemplo do efeito Trump no humor nocturno dos EUA é o sucesso da caricatura do Presidente por Alec Baldwin no Saturday Night Live, que lhe mereceu mesmo uma nomeação para os Emmys como Actor Secundário. Ambos foram criticados pelo Presidente na sua prolífica conta no Twitter ou em entrevistas e os seus sketches são presença regular nas partilhas dos utilizadores de todo o mundo nas redes sociais.

A Showtime não é alheia a esse fenómeno, ciente de que a nova comédia “fará ondas, obterá atenção”. Na mesma lógica temática, mas com um tom longe do da comédia, o canal transmitiu em Junho The Putin Interviews, uma série de entrevistas do realizador Oliver Stone ao Presidente russo. Por seu turno, Jon Stewart, colega de Colbert na Comedy Central e que já fez um punhado de aparições no seu talk show para falar... de Trump, tinha um projecto de animação para a HBO que acabou por cair por terra.