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Segregacionismo inescrupuloso: o caso dos homens que viraram pombos

Não haverá marco civilizatório verdadeiro, enquanto persistirem as fendas sangrentas e purulentas do racismo

Entrando numa enorme ambientação utópica, chegaremos à análise que alude o título. Primeiramente, é preciso considerar as características dos pombos, para só depois cotejá-las ao arquétipo humano. Então, vejamos: pombos são pássaros e o são porque podem voar, mesmo que prefiram estar a maior parte do tempo de suas vidas, no chão a andar. Para andar, possuem duas patas bem finas de cor vermelho-rosada que na extremidade têm três garras, as quais servem de superfície de contato mínima para se locomoverem em solo e se manterem estáveis em galhos ou em fios da floresta urbana.

Pombos se alimentam de ciscos encontrados no solo e fazem um movimento bem particular com a cabeça enquanto andam, parecendo sempre estarem em concordância com algo. Podem ter penugem branca (e aí simbolizariam a paz, o bom, o belo, a liberdade, a pureza, os mensageiros de que existe terra firme na Era de Noé) ou podem ter penugem escura (e aí representariam a massa, a sujeira, o comedor de lixo, o problema de saúde pública, os mensageiros de que existem problemas reais na Era do homem contemporâneo). Pombos são pombos em qualquer lugar do planeta e por onde formos, poderemos encontrá-los, consentindo com algo involuntariamente ou ciscando.

Bom, agora, vamos a montagem do arquétipo humano. Homens são mamíferos que se dizem viver em grupo, o são porque podem mamar e andar, mesmo que estejam boa parte do tempo “voando”. Para voar, literalmente, construíram uma enorme máquina com duas asas bem grandes e que serve para ter aerodinâmica.

Homens fazem, diante do sistema político, econômico e social estruturado, um movimento involuntário particular com a cabeça, parecendo estarem sempre concordando com o mesmo. Podem ter pele branca (e aí representariam o civilizado, o bom, o belo, a liberdade, a pureza, os mensageiros da boa nova do Reino do Céu) ou podem ter a pele negra (e aí representariam a massa, a sujeira racial, o comedor de lixo, o problema de saúde pública imigratória, os mensageiros de que existem problemas reais na Era do homem contemporâneo). Estamos ou não condenados a sermos pombos? Homens são homens em qualquer lugar do planeta e por onde formos poderemos encontrá-los, seja consentindo com um sistema falido involuntariamente, ou ciscando do que podem ter de mais belo, a vida.

Até quando nos valeremos do segregacionismo inescrupuloso da raça para definir nosso modus operandi? Não haverá marco civilizatório verdadeiro, enquanto persistirem as fendas sangrentas e purulentas do racismo. Racismo não é problema sanitário, mas humanitário. Os expurgados pela cor reivindicam direitos e sobretudo, amor.

Estamos condenando a humanidade à condição de pombos ou condenando os pombos à nossa “humanidade”? Infelizmente é este o silogismo que insistimos afirmar todos os dias: 1. Pombos são animais condenados a consentir e a ciscar. 2. Homens são animais que consentem ilogismos e ciscam a vida. 3. Logo, nós, homens, estamos condenados a ser pombos.