Fretilin lidera com mais de 88% dos votos contados

Alkatiri promete diálogo com Xanana, abre braços a restantes líderes

A contagem de votos encaminha-se para o final
Fotogaleria
A contagem de votos encaminha-se para o final LUSA/NUNO VEIGA
As urnas abriram em Timor, Austrália, Coreia do Sul, Portugal e Reino Unido
Fotogaleria
As urnas abriram em Timor, Austrália, Coreia do Sul, Portugal e Reino Unido LUSA/ANTONIO DASIPARU
760.907 eleitores foram chamados às urnas
Fotogaleria
760.907 eleitores foram chamados às urnas LUSA/ANTONIO DASIPARU
Ramos-Horta
Fotogaleria
Ramos-Horta LUSA/NUNO VEIGA
Mari Alkatiri
Fotogaleria
Mari Alkatiri LUSA/NUNO VEIGA

Quando estão contados 88,14% dos votos, a Fretilin lidera com 30,35% dos votos, à frente do CNRT com 27,88% dos votos, devendo ainda entrar no Parlamento Nacional deputados do Partido Democrático (PD), do Partido Libertação Popular (PLP) e do Khunto.

Ainda assim, e quando faltavam contar cerca de dois terços dos votos em Díli – o maior município em termos de eleitores – o CNRT liderava destacado na capital, pelo que o resultado final continuava em aberto. O secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, agradeceu a "grande responsabilidade" que o eleitorado timorense depositou no seu partido, comprometendo-se a dialogar com Xanana Gusmão e com quem queira apoiar o desenvolvimento do país.

"Tudo faremos para abraçar todos mas vamos continuar a trabalhar com Xanana Gusmão, essa figura incontornável desse país, no sentido de responder a esta mensagem clara do nosso povo", afirmou Mari Alkatiri, num discurso na sede da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) em Díli.

O próximo Parlamento Nacional será mais plural do que o actual (que tem quatro partidos) com representantes de pelo menos cinco forças políticas: Fretilin, CNRT, PD, PLP e Khunto.  "Tentámos convencer o povo e o povo ouviu-nos. O povo não deu a maioria absoluta a ninguém e temos que respeitar a vontade do povo", disse Alkatiri. Deu maioria simples à Fretilin, reconhecendo a capacidade, os valores e os princípios da Fretilin". 

Na primeira declaração de um líder partidário depois das eleições de sábado - e quando a Fretilin lidera a contagem dos votos - Alkatiri disse que houve "uma luta renhida entre os dois grandes partidos" mas recordou que a Fretilin e o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão "são partidos aliados". Agora, contados os votos, "o povo transmitiu uma mensagem clara, de que quer que se continue a consolidar a paz e a estabilidade e que se continue com o programa de desenvolvimento para tirar o povo dessa situação de pobreza".

Quase 24 horas depois do fecho das urnas e quando apenas estavam encerradas as contagens em sete dos 13 municípios e nos centros de votação na diáspora, a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) estava à frente do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) com 128.135 votos contra 116.100.

Sobre se a abertura ao diálogo se limita a Xanana Gusmão ou se aceita falar com os restantes partidos, incluindo o PLP do ex-Presidente Taur Matan Ruak, o secretário-geral da Fretilin disse que todos são bem-vindos.

"A campanha acabou"

"Agora a campanha acabou. Não existem adversários, existem só compatriotas que quiserem trabalhar juntos", disse, à Lusa numa conversa na sede do partido onde hoje dirigentes e apoiantes estão concentrados desde o fecho das urnas no sábado.

"Estar de braços abertos para incluir todos no processo de governação e de construção do país não significa que todos devem entrar para o governo. Por mim o Governo mais eficaz é sempre um governo pequeno", disse.

Questionado sobre o seu futuro e a hipótese de ser primeiro-ministro, Alkatiri disse que já solicitou ao secretário-geral adjunto do partido, José Reis, a marcação de uma reunião do Comité Central da Fretilin, a quem caberá tomar a decisão, dando-lhe a liberdade de escolher se aceita ou não liderar o executivo.

Os dados provisórios (quando estavam contados 82% dos votos) mostravam uma “corrida” para o terceiro lugar, com o Partido Democrático (PD) a ter 41.881 votos (10,01%) contra os 41.085 (9,82%) do Partido Libertação Popular (PLP).

Apenas outra força política, o Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor-Leste (Khunto), ultrapassara até então a barreira de elegibilidade de 4% dos votos válidos, com 28.780 votos ou 6,88% do total

Entre os restantes 16 concorrentes o mais próximo dessa fasquia é o Partido Unidade Desenvolvimento Democrático (PUDD) que somava 13.190 votos ou 3,15% do total.

Os dados baseiam-se num escrutínio de 694 dos 843 centros de votação instalados pelo STAE para o voto de sábado.

Os dados indicam que entre os votos expressos contados até então havia 418.594 válidos, 3162 brancos, 8584 nulos, 147 reclamados e 21 rejeitados. Votos reclamados são votos sobre os quais há disputas ou reclamações sobre a quem correspondem - caberá à Comissão Nacional de Eleições (CNE) definir posteriormente - e os rejeitados são boletins que estavam na urna sem o carimbo e a assinatura que comprova que foram genuinamente entregues a um eleitor.

Os 760.907 eleitores timorenses votaram no sábado em Timor-Leste e ainda em centros na Austrália, Coreia do Sul, Portugal e Reino Unido para eleger os 65 membros do Parlamento Nacional timorense.