Protecção Civil reitera número de vítimas em Pedrógão: 64 mortos

Mortes indirectas não se integram nos critérios definidos, diz Protecção Civil. O Expresso noticiava neste sábado que 65 pessoas tinham morrido na tragédia.

Adriano Miranda
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Adriano Miranda

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) reiterou neste sábado que o incêndio do mês passado em Pedrógão Grande fez 64 vítimas mortais, em "consequência directa" do fogo, e que outros eventuais casos não se integram nos critérios "definidos". Os critérios que foram identificados para apurar as vítimas do incêndio são "mortes por inalação e queimaduras", resultantes do fogo, adiantou à agência Lusa a adjunta nacional de operações Patrícia Gaspar.

O jornal Expresso noticiou neste sábado que houve pelo menos 65 mortos no incêndio de Pedrogão Grande, enquanto os números oficiais têm apontado sempre para 64 vítimas mortais — segundo o título, a lista de 64 mortos do incêndio de Pedrógão Grande exclui vítimas indirectas. De acordo com o semanário, os critérios para elaborar a lista oficial das vítimas mortais exclui designadamente o caso de uma mulher que foi atropelada quando fugiu das chamas.

A responsável da ANPC reitera que "os 64 mortos é o número de mortes apurado pelas autoridades nacionais", remetendo mais detalhes sobre a definição dos critérios para os ministérios da Saúde e da Justiça.

O Expresso refere que pediu a lista oficial de mortos ao Ministério da Justiça, tendo recebido a indicação de que a identificação das vítimas mortais era “informação emergente da actividade do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses e da Polícia Judiciária, integrada no inquérito-crime do Departamento de Investigação e Acção Penal da Comarca de Leiria, que se encontra em segredo de justiça”.

O tema levantado pelo jornal mereceu já várias reacções dos partidos: o PSD exigiu que o Governo divulgue já a lista de mortos no incêndio de há um mês, e que explique que critérios determinaram a constituição dessa lista de vítimas; e a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, defendeu que "o país tem de conhecer exactamente a dimensão da tragédia".

O incêndio que deflagrou a 17 de Junho, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois. Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

A área destruída por estes incêndios na região Centro corresponde a praticamente um terço da área ardida em Portugal em 2016, que totalizou 154.944 hectares, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna divulgado pelo Governo em Março.

Das vítimas do incêndio que começou em Pedrógão Grande, pelo menos 47 morreram na Estrada Nacional 236.1, entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, concelhos também atingidos pelas chamas. O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.