Mala de Armstrong com pó lunar vendida por 1,5 milhões de euros

Durante mais de 40 anos o objecto passou despercebido à NASA. O leilão aconteceu no 48.º aniversário da chegada à lua.

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LUSA/COURTESY SOTHEBY'S / HANDOUT
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Um saco de pó lunar trazido por Neil Armstrong foi vendido esta semana por 1,8 milhões de dólares. Pouco, para o seu “inestimável valor”, considerou um porta-voz da NASA, que não irá usufruir dos lucros da venda. O leilão aconteceu 48 anos depois da primeira viagem do homem à Lua registada com sucesso, a 20 de Julho de 1969. O momento do “pequeno passo para o homem e do grande passo para a humanidade” ficou registado na História, mas o saco que o astronauta norte-americano trouxe consigo ficou esquecido durante todas estas décadas e o seu valor foi subestimado. Enquanto as pedras lunares se tornaram tesouros nacionais, os pós que enchiam o saco passaram despercebidos. Esta quinta-feira, o saco que “foi à lua e voltou” encontrou um novo lar, conta a BBC.

A bolsa, que durante anos esteve fechada numa caixa no Johnson Space Center em Houston, foi comprada por uma pessoa que fez a oferta por telefone e não quis ser identificada publicamente, disse a casa de leilões Sotheby's.

O início da história do leilão desta quinta-feira em Nova Iorque recua três anos, quando o saco, depois de desaparecer do Johnson Space Center apareceu na garagem do gerente de um museu do Kansas, Max Ary, que foi condenado pelo seu roubo em 2014, de acordo com registos judiciais, conta a Fortune.  O governo norte-americano apreendeu o material e colocou-o em leilão três vezes, e foi apenas à terceira que alguém reparou nela.

Até então, os cerca de 30 por 20 centímetros da bolsa, onde se lê “exemplar de amostra lunar”, tinham passado despercebidos. Mas foram suficientes para chamar a atenção de Nancy Carlson, uma apaixonada pelos mistérios do universo. A entusiasta comprou o objecto por 995 dólares.

Interessada em perceber a história do saco de Armstrong (e em confirmar a veracidade do que achava estar no seu interior), Carlson submeteu o seu conteúdo a uma análise da própria agência espacial norte-americana, que confirmou a sua origem lunar. Quando a NASA confirmou o conteúdo tentou reclamá-lo pela via legal. No entanto, um tribunal distrital norte-americano considerou Carlson a legítima dona do saco, contam vários jornais norte-americanos.

Em Maio deste ano, a Reuters anunciou a data do leilão, a primeira venda legal de artigos da missão lunar que estavam na posse da NASA. À data, era expectável que o pequeno saco de pó lunar pudesse ascender aos 4 milhões de dólares (cerca de 3,4 milhões de euros).

O valor, que se ficou pelos 1,8 milhões de dólares (cerca de 1,5 milhões de euros) será investido parcialmente em caridade e na criação de uma bolsa na universidade onde Carlson estudou: a Northern Michigan University.

Ao Wall Street Journal, William Jeffs, porta-voz da NASA, defendeu que o objecto devia estar disponível para o público em geral, uma vez que “representa o culminar de um esforço nacional de uma geração de norte-americanos, que arriscaram as suas vidas para conquistar o maior feito que a Humanidade alguma vez testemunhou”.