Costa sobre o Banif: As pessoas confiaram num “sistema que as aldrabou”

No Funchal, para o lançamento da recandidatura de Paulo Cafôfo, António Costa foi recebido por uma manifestação de lesados do Banif.

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LUSA/HOMEM DE GOUVEIA
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O primeiro-ministro António Costa reiterou esta quinta-feira no Funchal a “vontade política” do Governo em responder aos problemas dos lesados do Banif, dizendo que está em causa um “conjunto de pessoas honestas” que confiaram num “sistema que as aldrabou”.

Foi Costa secretário-geral do PS que se deslocou à Madeira, para apadrinhar a apresentação da recandidatura da coligação liderada por Paulo Cafôfo à Câmara do Funchal, mas foi Costa primeiro-ministro que, logo à chegada, saiu do carro e dirigiu-se à outra ponta da Praça do Município, onde dezenas de lesados do Banif se concentravam em protesto.

“Compreendo a ansiedade das pessoas. A ansiedade dos lesados do Banif não é menor do que a ansiedade dos lesados do outro processo”, disse aos jornalistas, apontando as diferenças entre este caso e o do BES, que quarta-feira teve mais um episódio, com a aprovação na Assembleia da República da legislação necessária para avançar com o mecanismo de indemnização para os mais de dois mil clientes de papel comercial empresas Espírito Santo Financial e Rio Forte.

“A situação está ainda numa fase processual distinta, para permitir ao Governo tomar alguma iniciativa”, argumentou, falando directamente para Jacinto Silva, presidente da Associação de Lesados do Banif (Alboa). “Não conseguimos falar com ninguém”, repetia, a espaços Jacinto Silva. “Falem comigo”, respondeu o primeiro-ministro.

O que Costa tinha para dizer, é que é necessário aguardar. Primeiro pela Comissão do Mercado de Valores Imobiliários (CMVM) se pronunciar sobre as centenas de queixas dos lesados que pretendem demonstrar que a venda de obrigações subordinadas do Banif foi uma operação de misseling (venda abusiva). Depois, para a Assembleia da República apreciar a petição que Alboa entregou em São Bento.

“Apresentaram uma petição na Assembleia, e é preciso agora que a Assembleia se pronuncie”, disse, lembrando que o executivo tentou mediar uma solução entre os lesados e o Santander, que adquiriu os activos do Banif em Dezembro de 2015.

A conversa de António Costa acabou por não convencer completamente o grupo de manifestantes que, logo que o secretário-geral do PS subiu ao palco para apresentar a recandidatura da coligação Confiança (PS, Bloco, JPP, PDR e Nós, Cidadãos!), fez-se ouvir, repetindo o coro depois, quando se falou da situação da Venezuela, onde o Banif tinha forte implantação junto da comunidade portuguesa.

Sobre o que o levou ali ao Funchal, a apoiar Cafôfo, Costa pouco disse. Lembrou a “surpresa” que foi a vitória do independente há quatro anos, que, “fruto da boa governação”, foi transformada em “certeza”, e elogiou o “amigo Paulo”.

Já o candidato,  depois de apresentar uma equipa bastante renovada – do executivo que ganhou o Funchal em 2013 sobram apenas duas caras – falou das promessas que dá por cumpridas e elencou as suas prioridades, caso se mantenha à frente da câmara, depois de Outubro. 

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