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McCain, o senador que une o Congresso americano, tem cancro do cérebro

O tumor foi detectado durante uma intervenção cirúrgica para remover um coágulo sanguíneo. John McCain tem 80 anos e é um dos senadores mais respeitados nos Estados Unidos.

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John McCain Reuters/Brian Snyder

Um dos mais antigos e respeitados senadores dos Estados Unidos, John McCain, foi diagnosticado com cancro do cérebro. Conhecido pela sua independência política ao longo de três décadas no Senado, McCain foi também um dos responsáveis do Partido Republicano que mais criticou Donald Trump durante a campanha presidencial do ano passado.

O diagnóstico foi feito após uma operação a um coágulo de sangue por cima da vista esquerda, na sexta-feira da semana passada. Nesse dia, os jornais americanos deram a entender que o estado de saúde de McCain podia ser pior do que se pensava, mas a notícia de que sofre de um tumor cerebral apanhou a sua família de surpresa.

"A notícia da doença do meu pai afectou cada um de nós na família McCain", disse uma das filhas do senador, Meghan McCain, através do Twitter. "A minha avó, mãe, irmãos, irmã, e eu suportámos o choque da notícia, e agora vivemos com a ansiedade de saber o que virá a seguir."

Depois da operação de sexta-feira e do diagnóstico, John McCain está agora a recuperar em casa, no Arizona.

O senador foi diagnosticado com um glioblastoma, considerado o tumor mais maligno dos gliomas. Pode ser muito agressivo e espalhar-se para outras partes do cérebro rapidamente, principalmente em pacientes com idades mais avançadas – do tratamento podem fazer parte uma operação para remover a maior parte do tumor, radioterapia e quimioterapia.

Os membros do Congresso apressaram-se a prestar tributos e a desejar uma rápida recuperação ao senador. Conhecido pela sua posição política conservadora mas independente, e pela sagacidade e opiniões fortes, John McCain é um dos mais conhecidos e populares congressistas norte-americanos, tanto entre colegas como entre jornalistas. Apesar de ser um feroz defensor de uma acção militar forte dos Estados Unidos no exterior, tem também a reputação de saber trabalhar com o Partido Democrata.

Aos 80 anos, prestes a fazer 81, McCain é um dos senadores mais idosos do Congresso norte-americano. A sua vida está repleta de situações dramáticas: em 1967, sobreviveu a um incêndio a bordo do porta-aviões USS Forrestal, que matou 134 pessoas e feriu 161; apenas três meses mais tarde, ainda durante a Guerra do Vietname, o seu avião foi abatido e McCain ficou gravemente ferido – foi capturado, detido e torturado até à sua libertação, em 1973. Devido aos actos de tortura de que foi vítima, McCain foi sempre um activista contra a tortura por parte das forças armadas e das agências de serviços secretos dos Estados Unidos, incluindo contra suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de Setembro de 2001.

No ano 2000 anunciou que tinha melanoma – um cancro da pele – e recebeu tratamento. Sete anos mais tarde, em 2007, anunciou a sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, ao lado da então governadora do Alaska, Sarah Palin – McCain e Palin perderam essa eleição para a dupla do Partido Democrata.

Essa dupla, constituída por Barack Obama e Joe Biden, enviou mensagens de apoio a McCain. O ex-Presidente dos EUA disse que o senador é "um herói americano e um dos combatentes mais corajosos" que conheceu. "O cancro não sabe com quem se meteu. Transforma a vida dele num Inferno, John", escreveu Obama.

A mensagem do antigo vice-presidente, Joe Biden, foi ainda mais emocionada, já que os dois políticos são amigos há mais de 40 anos – e o próprio Biden teve uma vida trágica, depois de a sua primeira mulher e a filha de um ano terem morrido num acidente de viação, em Dezembro de 1972, e de o seu filho Beau ter morrido de cancro do cérebro em 2015, aos 46 anos. "Ele passou por várias dificuldades com muita elegância. É forte – e vai vencer isto", disse Biden.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, também escreveu uma mensagem de apoio: "O senador John McCain tem sido um lutador. A Melania e eu estamos a pensar e a rezar pelo senador McCain, pela Cindy e por toda a sua família. Recupere depressa."

No Verão de 2015, o então candidato Donald Trump chocou parte do país ao desvalorizar a participação de John McCain na Guerra do Vietname: "Ele não é um herói de guerra. É um herói de guerra porque foi capturado? Eu gosto de pessoas que não são capturadas."

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