Seca: estão previstos 510 mil euros para camiões-cisterna

A partir desta quarta-feira entram em vigor várias medidas para prevenir, regular e mitigar os efeitos da seca em Portugal.

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LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Está oficialmente declarada a seca no país. A Comissão Permanente da Seca reuniu pela primeira vez nesta quarta-feira e propôs medidas para garantir que a água existente é suficiente para as necessidades tanto das populações como da agricultura e indústria. O ministro do Ambiente garante que o preço da água pago aos municípios não vai aumentar ao longo deste Verão e que a única despesa pública prevista são os 510 mil euros destinados ao camiões-cisterna contratados para abastecer povoações, “que podem chegar a não ser necessários”.

Entre as oito medidas previstas no Plano de Prevenção e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, está também a redução dos consumos urbanos. “Diminuir a rega dos jardins públicos ou, em zonas críticas, proibir o enchimento de piscinas ou lavagem de viaturas” são alguns exemplos avançados por João Matos Fernandes, responsável pela pasta do Ambiente.

Para o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, a imprevisibilidade da chuva é a única certeza e o prolongamento das secas o que mais o preocupa. “Estão previstas medidas para mitigarmos este problema, mas as secas tornam-se consecutivas e a agricultura vê-se cada vez mais ameaçada”, sublinha.

Na passada segunda-feira, somaram-se duas albufeiras às 14 - já identificadas a 30 de Junho – que estão a menos de 40% da sua capacidade. Apesar de Matos Fernandes salientar que a situação é preocupante, lembra que não deixa de ser heterogénea ao longo do território nacional, uma vez que “há bacias hidrográficas no norte litoral do país com um nível de armazenamento de água superior ao que é comum nesta época do ano”.

Sado é o que preocupa mais

Entre os casos mais preocupantes, destaca o da bacia hidrográfica do Sado, mas diz tratar-se de um problema com solução: “Vamos a tempo de tomar um conjunto de medidas e o consumo de água está absolutamente salvaguardado”. A garantia de água para consumo humano ocupa o topo da hierarquia das preocupações dos governantes, seguido da pecuária, agricultura e lavagens urbanas, fontanários e viaturas.

Desde 1995 que não se registava um ano tão seco como o de 2017, mas o ministro do Ambiente salvaguarda que esta comparação diz respeito à disponibilidade real da água e não ao facto de chover mais ou menos. Além disso, acrescenta que os cenários não são directamente comparáveis, tendo em conta que hoje há reservas que há 22 anos não existiam, como é o caso do Alqueva.

O trabalho que ainda há a fazer relativamente à barragem do Alqueva também foi assinalado, assegurando que será aprovado o reforço da capacidade de bombagem da barragem e que já está prevista a expansão da área que a mesma serve. “O plano para o Alqueva foi elaborado em Março, mas as medidas de excepção serão discutidas com os agricultores nos próximos dias”.

O Plano de Prevenção e Acompanhamento dos Efeitos da Seca foi aprovado na primeira reunião da Comissão Permanente da Seca – um órgão interministerial activado a 7 de Junho. Estiveram presentes os ministros do Ambiente, João Matos Fernandes, da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, do Mar, Ana Paula Vitorino, e o Adjunto, Eduardo Cabrita.

Texto editado por Pedro Sales Dias