Rocha Andrade e Margarida Marques retomam lugar de deputados

Ex-secretários de Estado voltaram nesta quarta-feira para a Assembleia da República.

Os dois ex-secretários de Estado durante um debate há meses, com o primeiro-ministro, na bancada do Governo no plenário.
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Os dois ex-secretários de Estado durante um debate há meses, com o primeiro-ministro, na bancada do Governo no plenário. evr Enric Vives-Rubio

Cinco dias depois de terem deixado funções governativas, o ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, e a antiga secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Margarida Marques, voltaram nesta quarta-feira a ocupar os lugares de deputados na bancada parlamentar socialista.

Rocha Andrade entrou na bancada com o deputado Ascenso Simões, sentando-se ambos na última fila da bancada do PS, atrás dos deputados do PCP. Enquanto isso, Margarida Marques sentou-se perto, uma fila à frente, ao lado do também ex-governante João Soares.

Pouco depois, enquanto os deputados discutiam a questão dos trabalhadores da PT a pedido do PCP, Rocha Andrade, andou pelos corredores da bancada, foi cumprimentar efusivamente os deputados Bacelar de Vasconcelos, Pedro Delgado Alves e Ana Catarina Mendes. E Margarida Marques foi sentar-se a conversar com Ascenso Simões.

Fernando Rocha Andrade pediu a demissão do cargo que ocupava nas Finanças no dia 8 de Julho, em simultâneo com os secretários de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, e da Indústria, João Vasconcelos. Na altura, os governantes anunciaram numa nota pública que apresentavam a sua demissão solicitando ao Ministério Público a constituição como arguidos no inquérito relativo às viagens para assistir a jogos do Euro 2016 a convite da Galp.

Porém, no dia seguinte, numa resposta por escrito remetida ao PÚBLICO, o gabinete da Procuradoria-Geral da República revelava que “o despacho do Ministério Público que determinou a constituição de arguidos dos secretários de Estado agora exonerados foi emitido na sequência e no âmbito da investigação”, detalhando que o documento foi emitido a 6 de Julho - dois dias antes do anúncio dos três governantes -, “encontrando-se em fase de cumprimento, estando as notificações em curso”.

Para além dos três secretários de Estado, a PGR havia já confirmado a constituição de mais "três arguidos – um chefe de gabinete, um ex-chefe de gabinete e um assessor governamental", somando então um total de seis envolvidos.

A saída de Margarida Marques do Governo ficou a dever-se em princípio a questões de relacionamento interno no Governo, embora a titular da pasta dos Assuntos Europeus sempre se tenha recusado a revelar os motivos invocados para a sua substituição. Na altura confessou ao PÚBLICO ter sido apanhada de surpresa quando o ministro dos Negócios Estrangeiros lhe comunicou a decisão.