Alijó esteve três dias a arder e na Guarda aldeias tiveram de ser evacuadas

Baixa da temperatura deu algumas tréguas aos bombeiros, que finalmente dominaram as chamas no distrito de Vila Real.

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Incêndio de Alijó foi dado como extinto às 19h30 desta terça-feira ADRIANO MIRANDA

Guarda foi o cenário mais problemático desta terça-feira. Durante a tarde, as aldeias de Pereiro, no concelho de Pinhel, e de Pailobo, no concelho de Almeida, foram evacuadas devido a um incêndio. Podiam seguir-se outras duas aldeias, Ade e Monte da Velha, também em Almeida.

Havia focos em vários pontos do país. No final do dia, o site da Autoridade Nacional de Protecção Civil registava um total acumulado 804 ocorrências, a envolver 3501 operacionais. Àquela hora, o distrito da Guarda era o que inspirava maior cuidado (773 operacionais). Seguiam-se o de Vila Real (585) e Viseu (390).

No concelho da Guarda, o incêndio deflagrou por volta das 13h de segunda-feira, em Rochoso. As chamas avançaram mato adentro e entraram nos concelhos de Almeida, Pinhel e Sabugal. Por causa das chamas, a auto-estrada 25 foi cortada no troço Guarda-Vilar Formoso. O trânsito também foi interrompido na zona de Leomil, no concelho de Almeida. A GNR aconselhava então a circular na Estrada Nacional 340, que liga Almeida a Pinhel.

À hora do almoço, o sinistro ocupava 392 operacionais. O número de meios no local foi aumentando. Às 18h00, a informação disponibilizada na página da Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil mobilizava 460 profissionais. Havia duas frentes activas. Uma delas tinha uns cinco quilómetros. Os reforços foram pedidos, até por as chamas se aproximarem das aldeias. Uma hora depois, o sinistro mobilizava 588 operacionais com 185 viaturas e quatro aeronaves. O combate fora fortalecido, inclusive por um grupo de 50 homens oriundo da Galiza. No distrito, lavravam outros dois incêndios, um em Vila Nova de Foz Côa e outro em Gouveia.

No distrito de Vila Real, as atenções continuam voltadas para o incêndio que deflagrou às 14h de domingo em Vila Chã, no concelho de Alijó. Na noite de segunda para terça, com temperaturas mais baixas, a situação evoluiu de forma favorável. O recurso a oito máquinas de rasto e ferramentas manuais ajudou a travar a progressão do incêndio.

"É um trabalho difícil, porque queremos ancorar o incêndio, isto é, terminar o incêndio numa zona onde não haja combustível", explicou à agência Lusa Álvaro Ribeiro, comandante operacional distrital de Vila Real no balanço das 9h. “Isso está a ser feito à custa de utilização de máquinas e ferramentas manuais e iremos promover acções com meios aéreos para arrefecimento de pontos quentes.”

O presidente da câmara, Carlos Magalhães, alegrou-se com o método. Mas as vinhas, reconheceu, é que "serviram de tampão".

Àquela hora, 80% do sinistro estava controlado. No ponto da situação feito às 13h já só se combatiam chamas nas Caldas de Carlão, um ponto de difícil acesso, ao qual os bombeiros só chegavam a pé. No fim do dia, ainda havia meio milhar de operacionais no local, mas o incêndio estava em resolução e acabaria por ser dado como extinto cerca das 19h30.

A terceira maior preocupação da Protecção Civil localizava-se no distrito de Viseu. O incêndio que deflagrou em Mangualde no domingo evoluiu de forma favorável durante a tarde desta terça. Às 13h, a Autoridade Nacional de Protecção Civil dava nota de apenas algumas reactivações para as quais estava a canalizar os seus meios.

O prejuízo era já avultado. O dia estava a começar e, pelas contas do presidente da junta, Alexandre Constantino, mais de 50% da área da União das Freguesias de Tavares já ardera. “Infelizmente temos muito prejuízo na freguesia", declarou à Lusa. E era lá, em Vila Cova de Tavares, que continua activa uma frente de fogo que levou a GNR a cortar um troço da Estrada Nacional 16.

O combate não estava ganho, como então se chegara a pensar. Por volta das 19h30, ainda ardia mato. Esforçavam-se para apagar as chamas 327 operacionais, apoiados por 102 viaturas e duas aeronaves. Com Lusa