Crianças da Cova da Moura celebram com ciência o Dia Internacional de Nelson Mandela

Os pequenos “cientistas e exploradores” do Bairro da Cova da Moura tiveram nesta terça-feira a oportunidade de experimentar várias actividades dentro e fora do Pavilhão do Conhecimento.

As crianças visitaram o Pavilhão do Conhecimento para celebrar o Dia Internacional Nelson Mandela.
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As crianças visitaram o Pavilhão do Conhecimento para celebrar o Dia Internacional Nelson Mandela. Mário Lopes Pereira

O que é que o Dia Internacional de Nelson Mandela tem a ver com a ciência? Tudo. Madiba “disse que ‘a educação é a arma mais poderosa’ e este é o museu do conhecimento”, justifica Hugo Lambrechts, conselheiro político na Embaixada da África do Sul, que decidiu levar crianças do bairro da Cova da Moura ao Pavilhão do Conhecimento para celebrar o dia que se assinalou nesta terça-feira.

Pelas salas onde se tenta tornar a ciência acessível a todos, circulavam 60 crianças da Associação Cultural Moinho da Juventude, dos quatro aos 16 anos. A Cova da Moura foi a escolhida para esta iniciativa da embaixada, não só por este bairro ser composto por uma comunidade essencialmente africana, mas sobretudo porque os responsáveis da associação lhes relataram que “estas crianças estão sempre na comunidade, não saem dela”, adianta o conselheiro político.

Edimeusa Indi, de 14 anos, já tinha visitado o Pavilhão mas não sabia que nesta terça-feira se celebrava o dia internacional de Nelson Mandela. “Fiquei a saber que ele gostava muito do mundo e não fazia diferenças.”

Já Laura Simão, de 15 anos e que se encontra em Portugal há dois meses, sabia de cor a quem aquele dia era dedicado: a “um grande homem, que queria a paz no seu país. Ele foi um herói”, assegura.

A directora do Pavilhão do Conhecimento, Rosalia Vargas vê este dia como uma oportunidade de celebrar a ciência como inclusiva, tanto a nível do conhecimento como a nível social.

E foi isso que se tentou neste Dia de Mandela — oferecer pistas de conhecimento para que estas crianças as pudessem descobrir e explorar. Os mais novos aprenderam durante a manhã, no Cantinho da Ciência, qual a função dos alimentos no processo de crescimento de uma criança e o porquê de comermos. Nesta sessão, através de actividades com a roda dos alimentos, foi possível explicar aos miúdos quais os alimentos que formam um prato saudável, que se dividem em três partes: os construtores, reguladores e energéticos.

Clarificadas as funções dos alimentos, é feita a actividade final, na qual é possível compreender o processo pelo qual a comida passa no corpo através da “aventura digestiva”. A aventura é dividida por etapas que representam do início ao fim o processo digestivo, com um escorrega a representar o esófago e uma piscina de bolas como o “saquinho”, forma como as crianças apelidaram o estômago.

No exterior, o segundo grupo calçava peúgas brancas para o “Meias com ciência — um mundo aos teus pés”. Ao caminharem pela rua, as crianças apanham com as meias desde insectos a plantas e fósseis. Procedem à sua identificação e observação com os microscópios das três secções que dividem os elementos apanhados: zoologia, botânica e geologia. No final da actividade, as crianças levam numa caixa os seus achados como recordação.

Na segunda actividade do dia, este grupo visitou a exposição “Bom apetite! A ciência está na mesa”. A exposição explica os alimentos que comemos e a roda dos alimentos através de jogos interactivos. É também na sala da exposição que se encontra a Casa Inacabada, na qual as crianças podem experimentar o processo de construção de uma casa.

Mais em baixo no Pavilhão, no espaço Dóing, estiveram os “mais crescidos”. Nesta oficina aumentada, um espaço onde se aprende a construir brinquedos sem pilhas e como fazer um circuito eléctrico, é onde se junta a ciência e a criatividade. Entre canetas coloridas, tesouras e muitos recortes, as crianças colocam em acção o que a coordenadora da actividade considera como a “criatividade única” de cada um. Atentos aos mecanismos que fazem movimentar as letras no topo de cinco caixas pequenas, um a um explicaram a ideia de como estes funcionam através de desenhos.

Depois de todas estas actividades, a maioria uma grande novidade para as crianças do Bairro da Cova da Moura, Hugo Lambrechts afirmou: “Nós sentimos que hoje uma pequena semente será plantada. Que este conhecimento que eles ganham aqui será talvez uma inspiração para eles se tornarem em algo mais.”

A iniciativa da Embaixada da África do Sul teve como ponto de partida um contacto com a Associação Cultural Moinho da Juventude, da qual fazem parte as crianças. Este é um projecto comunitário, construída pelos moradores do Bairro da Cova da Moura. Esta conta com um “Núcleo de Apoio aos Moradores”, uma biblioteca juvenil, um jardim infantil, um núcleo desportivo, entre outras valências.

O Dia Internacional Nelson Mandela foi criado pela ONU em 2009 e celebra a mensagem transmitida ao longo da sua vida, de que todos têm a capacidade de mudar o mundo. Este ano, a Fundação Nelson Mandela decidiu que todos os dias são um “Mandela Day” para combater a pobreza em África.

Texto editado por Ana Fernandes